30 de dez de 2011


Vamos elucidar então, os fatos que realmente são relevantes?
Vamos de vez por fim às nossas ilusões?
Vamos amar e ser amados na medida justa?
Ser escutados, respeitados ou compreendidos?

Então,
Cubra-se agora, com o manto sagrado. Faço questão de profaná-lo nesse instante...
Suicidarei a cada dia minhas frustrações. Uma a uma, vou dando como ração aos cães. Como visão ao cego. Ou, puramente, como cinzas à terra.

A primeira delas seria a emoção. Devo restituí-la ao seu senhor como um dízimo ou dote. Se eu posso tê-la, é sinal que possuo reais condições físicas ou psíquicas, que me atribuam à mesma.

Estou aprendendo a lidar com as emoções. Se tratando do outro, o esforço ainda é maior, e melhor me conduz ao embate. Se eu chorar junto, não me tenha como inimigo. Amando igual, é desperdício de tempo. Mensurar emoções numa constante contenda é complicado demais pro meu dissabor.

Não quero ser muito rebuscado.
Tento ser claro. Me é difícil, pois, escrevo sempre sob o crivo das minhas próprias emoções mescladas às tuas também.

Obrigado.
Me dás o privilégio de ter-te como aliado.

Ontem ouvi de uma pessoa algo que me fez refletir:

“O culto divino é a forma mais genuína em todas as gerações que aqui chegaram, da expressão de respeito ou veneração frente ao medo, velado ou não, que temos de Deus.”
(....)











Onde estará o espírito ante teu silêncio?
Com que voz o silêncio se expressa?

Faltam-me palavras. Morre-se a ideia.
Quanto tempo perdido na ilusão!

Juntamente ao ócio estava a soberba. Ela não queria nada além de um sono tranqüilo. Existia. Não sei distinguir a causa ou efeito. Está muito além do meu silêncio.

Enquanto isso, vou conquistando almas frias, impróprias ao consumo. Unir-me aos insensatos, que tramam o banquete.

Vou comendo as minhas próprias palavras. Mais que fluxo, refluxo. Mais que antropofágico. Desumano. Vou me alimentando de mim mesmo. Floresce de minhas conclusões o silêncio supracitado.

Seria Deus então, como dissera o filósofo, fruto de meus lábios, mais que de meus pensamentos?
O que reflito, foge à fala?

Parei usualmente de brincar com as palavras, me divirto mais com os fonemas.

Essências não me enganam mais. Urgências me são necessárias.

A pujança do inocente é como água que tem como limite uma barragem prestes a se abrir...
Aí se encontra o livre-arbítrio: a via cômoda do silêncio ou o desafiador e sangrento caminho das locuções.

Lembre-se:
Penso, logo sinto.
Sinto, logo entendo.
Entendo, logo digo.
Digo.
Cuide-se. Pois o espírito se cala em falas silenciosas. 


29 de dez de 2011
Meus filhos nunca mais chorarão a morte, pois a eles dei meus olhos estancados pela introspecção.
Não posso mais sair culpando o outro pelas minhas criações, fruto de minhas insurreições.
Antes de amar, sempre tenho que pedir passagem...
Não quero mais sentir desse jeito. Gostar assim tem me deixado vulnerável.
Os jardins param de florescer.
O pasto não dá mais alimento.
O pomar não frutifica já faz tempo.
Meus gritos tem alcançado só os ouvidos de minha mãe.
De vez em quando tento olhar para os lados. Só vejo tristeza mesclada com alegrias.
Cumpra-se em mim as promessas de um antigo sedutor...
Faça-se em mim, segundo as vontades de um sábio amigo.
Mova-se minha corrente sanguínea!!!
Abra-se o céu e de lá saia o resgate, pois o chão se abriu faz muito tempo.
Estou caindo copiosamente como fazem minhas lágrimas todas as manhãs.

Enquanto durmo, meus amigos também o fazem.
Enquanto espero, meus deuses roubam a cena.
Sou fruto ou semente?
Sou roupa ou nudez?
Sou caule ou folhas?
Sou muro ou lamentações?

E a busca continua.
Assim como uma mãe que ansiosamente espera o retorno do filho, estão os órfãos que nunca em vida verão seus verdadeiros pais.
O elo perdido deve estar na desmedida confusão de meus deuses.
O que me resta?
Desafiar meus sentimentos?
Deitar-me e esperar que os sonhos me cheguem à mente, ou correr da fera que insiste em acorrentar meu calcanhar?
Adeus a quem fica no sono das próprias inquietudes.
Me encontrar?
Talvez num sonho. Te desejo noites tranquilas.
26 de dez de 2011
Quem habitará na casa do altíssimo?
- A sabedoria.
Sem pudor algum eu respondi.
Pois a cada novo fato raro,
Nunca à sua sombra eu me ressinto.

Quem desejará uma alma tão falha?
- A terra.
Muito a cabo eu concluí.

Pois na soma que da fé ou esperança,
Da incerteza ou desespero,
É a ela que me agrego.

Quantas águas saciam minha sede?
- Muitas.
E no rastro de suas sortes vou levando minha rede.
Ando pescando a dor do meu destino.
Vou a cada novo estímulo aceitando as condições.

Quer moral que acirre e se defenda frente ao desejo que é forte e acalenta?
Tuas cores ofuscam minhas verdades.
Teu poder corre lento rumo ao desfecho.
Nada pode ficar impune ante seu reflexo.
Vê-la, não posso. Cantá-la, não devo.
Moral que me dá o salário que me mantém.

A graça quando, embora altruísta,
chegou tarde demais.
Estamos impregnados de moral.
Quebrar esse ciclo é o que motiva a evolução.
Pra mais que uma ordem, o que seria do laço senão que a eficiência do nó. Quanto menor o trajeto entre dois pontos, melhor será o meio que me conduzirá.

Doce, sem paladar.
Vivo, sem movimentos.
Sábio, sem motivos.
Forte, sem emoções.

O que te representa hoje?
Em que mares trafegas?
Quem dirige os teus passos?
Quem tu amas ou detestas?

Dentro de mim há movimentos, caminhos, guias e sentimentos.
Cabe a mim, conhecê-los.
20 de dez de 2011
Alguns talentos são natos. A esses devo meu respeito.
Outros, são comprados e demasiadamente empurrados "goela abaixo".
Que pena que é assim. O gosto de cada um reflete vários espelhos. Alguns vêem o que querem ver de fato, já outros são consumidos pela imagem desproporcional às próprias causas... O que importa seria se deixar envolver e se representar por qualquer coisa?
A subjetividade de cada um, desde que seja verdadeira, é importante. 

Enjoy a todos!!!!
Tantos e tantos ocasos, hoje se fez mais um. A dúvida se dilui nas incertezas. Os olhos escondem seu brilho frente ao raiar do dia. A natureza, alheia aos nossos anseios, cumpre sua missão diária. Ela se integra, eu me desintegro diante do seu poder. O que choca é não entendê-la. O que conforta é fazer parte dela. Isso é simultâneo. Não dá mais pra negar essa interação. Eu sou árvore tanto quanto a água é doce ou salgada. Eu sou o vento por mais frio ou turvo se faça. Eu sou homem tanto quanto o caminhar lento da tartaruga. Em essência, mais que puro acerto, os filhos retornam a seus pais no infinito som da beleza, escura ou brilhante, tímida ou necessária, constante ou parcial. Não há mais tempo pro engano. Não dá mais pra tentar adivinhar a sorte enquanto a morte exige, a duras penas, a lei da gravidade de sua natureza. Entendê-la é entrar em contato com o sol que clama: abra a tua janela e respire os ares puros que emanam da atmosfera cruel da natureza que chora todos os dias sem falhar sequer um. Minhas vontades ou certezas, qual mandala que guia o meu dia, se rompem a cada pôr do sol. Nunca dormir foi tão novo. A evolução me conduz ao cansaço. Me conduz à renovação.
Chegou a noite. Com ela muitos vão descansar enquanto outros vão iniciar o atormentado trabalho. O dia vive a noite. Mais que qualquer entorpecente ou certeza, é na noite que as pessoas de fato são o que são. É no escuro que nos capacitamos às inusitadas manifestações do nosso espírito e deveras, da carne. Onde você está nesse momento? Deixou-se invadir pelo breu das tuas convicções? É lá que encontramos as verdades que não têm vergonha de indagar suas "sortes", vontades e desejos, quer do espírito que se faz luz ou conduz à treva da existência, ou da matéria, que ante a máscara da sociedade, ergue os gritos de prazeres, próprios da natureza humana. Os nossos espíritos se encontraram no interior da noite. No silêncio, típico desse momento, nos encontramos. Boa Noite!
Acuado,estou com medo
Vejo as marcas pelo espelho
Que diz mais que a lágrima
Que traduz a página
Que conduz ao verso:

Quem te cuida quando eu choro?
Quem te assiste quando eu saio?
Quem te agride quando eu fujo?
Quem te anima enquanto eu durmo?

Estaremos unidos até o sol nascer?
Assumirei o risco. Te esquecer?
O meu medo é que assusta
Minha calma, minha busca
Meu passado, não me lembro
Quando eu falo, não entendo
Minha falta é meu problema
Tanto pranto em meus fonemas
Que exprimem meus pesares
Que insistem pelos ares
Da luta
Que não cessa
Do dia
À noite fez-se festa
Então me ame sem malícia
Sem receio. Sem cobiça
Garantias não importam
Quando o beijo é sincero!
Desencadeou dentro d’Ela uma angústia incomum. Ora chorava, ora dormia. Como num holocausto, quando ninguém vem contar as penas sofridas, estava seu coração. O cotidiano não pode ser sagrado e profano. Esse limite não merece mais o respeito quando a dor prepondera entre acalantar a fera ou usufruir da esperança. O que faz a sombra na escuridão? 

Ela se vê em seu novo dilema que insurge: amar ou sê-lo. A disputa nunca foi tão acirrada. O tempo nunca tão curto. O tênue, uma eternidade, puro rompimento do ente. Suas decisões permeiam entre dor e medo, sorte ou acerto. A euforia toma conta da alma partida em quatro cantos distintos da realidade. Ela então se levanta. Vai à cozinha e toma um copo d’água. São exatas 4:00 da manhã. Só se vê em meio ao nada, a escuridão. Não sabe se chora pelo sono perturbado ou se implora ao soberano paciência pelo sonho vazio. Não dá pra procurar mais respostas. Ameaçado está seu coração. Nunca as decisões se tornaram tão implacáveis e emblemáticas. Posicionar-se custou para Ela o peso de toda uma vida. E, Ela decide amar.
Tenho olhos que me conduzem aos lugares mais insanos, tão humildes e humanos que entre a procura e o encontro se embaraçam e se diluem numa luz infinita e constante.
A luz que se inflama lá de dentro emana a continuidade do ser. Não há quem tão infame que do amargo se engane à sua busca de ternura e mansidão. Não me façam milagres, pois no mundo se invade uma falsa impressão. Doravante se erguesse junto a rumores e muros, suntuosos sussurros de agonia e aflição. Venham todos, me abracem, me aqueçam e me guardem dentro do coração. Pouco a pouco entendo que não há um veneno que te vença ó Leão. Leão da liberdade, da justiça e bondade, da paz e união. Já não tem quem entenda, quem jamais compreenda que há um Monte a subir. Rumo à alteridade, toda prosperidade de não ter, mas sentir. Toda minha vontade canta toda vaidade e contempla “um milhão”. Mas a luta é sagrada, junto à terra sagrada, venceremos a dor. Do engano à certeza, do abandono à beleza, unimos nossa voz.
Pra quê tanta dor,
Basta um sorriso que as portas se abrem pro amor.
Não importa a solidão,
Basta uma música, pra acompanhar o tédio e a dor.
Eu não vou mais fugir,
Basta o escudo, pra enfrentar toda a guerra a dor e o tédio.
Me faça entender,
Basta a dúvida, quer buscar a verdade vencendo o tédio da guerra e da dor.
Eu cedo sempre,
Basta coragem, esclarecer negando, e repudiando a dor o tédio e a guerra.
Fico calado,
Basta olhar sempre, e reconhecer que tudo não passa de um grito à guerra ao tédio e à dor.
Ser negro numa terra ilustre que me acolheu
É ter firme propósitos e ações
Que me guiam a amar mais um pouco,
A continuamente tentar.

Ter na pele a sentença de um grito
Esperando o navio chegar
Um navio repleto de espírito
De temores e anseios sem fim.

Toda lágrima outrora esquecida
Da família podada à revelia
Hoje busca o sol da justiça
do respeito, da superação
Somos filhos de um desconhecido
Repartido em dezenas de tons
Com certeza um dia seremos
Mais que um som ou um corpo perfeito
Que tem voz, que tem dores no peito
E se alegra com toda emoção

Seres pretos erguei-vos, uni-vos!
Tua luz cativou meu momento
Contristai-vos, ide em torno ao coração
Percebei que sois fortes
Que a gana e a garra não são raras
Para quem acredita a luta é constante.
Hoje amei além da conta.
Não quis pensar ante o desejo que ardia.
E na lama o meu corpo fez-se guia
Junto às portas do teu beijo
Tantas vezes eu batia
Que a minha energia sucumbia ao gozo pleno.
Tanta arte, tanto medo, tanta sorte.
Tanta vida recriada pelo toque.
Tanto rizo, tanta alma, que corria.
Pelos corpos requintados pelas cores.
Um vermelho tão intenso de teus olhos
Ela via além da pele que urgia.

Me contenha, me sucumba, me alente.
Eu preciso do teu hálito em meu riso.
Me abrace, não me deixe em minhas vontades.
Pois de encantos minha busca se perdeu.
Bom dia, boa áurea, boa sorte!Quem está aí pra me escutar?
Tô fumando até as cinzas das mazelas do meu mundo 
Tanto fundo quanto o poço mais escuro 
São meus atos frente ao sol que queima a pele 
Como um câncer em meus cardios em meus poros 
Como água no deserto da malícia 

Eu só tenho um pedido:
Que me amem sem o menor pudor
Que me olhem sem nenhum medo
Que me sintam sem nenhuma cor
Nem o claro ou o escuro me definem
Sou a mais genuína energia.
Amedrontado estão meus filhos pelo tempo inefável.
Medo do outro, medo das sombras.
As lágrimas vem á tona.
Uma mistura de dor e saudade, de insanidade e perturbação.
Lá fora tá diferente. Cá dentro a conformidade materna me protege dos meus limites.
Medo do lixo, medo da água que limpa.
Medo da sorte, medo do tempo ocioso.
Medo das penas, da responsabilidade.
Medo da falta, medo dos excessos.
Medo do frio, medo da solidariedade.
Medo da fome, medo do alimento.
Medo das cores, medo da claridade.
Medo do efêmero, medo da solidão.

O que separa me une.
O que me une me excita.
O que me excita provoca.
O que provoca me insulta.
O que insulta afasta.
O que afasta me traz de volta.
E me leva ao esconderijo de minhas palavras.

Aqui não tenho medo. Assumo os comandos.
Dirijo meus passos. Conduzo minhas ações.
A volta tá repleta do novo.
Transformação que acalma, ordena e classifica.
Aprendo a lidar com o homem que me ameaça.
Ele tá cheio de medos como eu.
Lidar com o medo alheio é saber que não estou sozinho.
Contra o medo só nos restam as palavras. E com elas, todo o risco.
Não há como acertar quando eu me esqueço do erro.
Que a paz, venha de onde vier, esteja conosco!

Afinal, quem seria tão preciso ou ortodoxo o suficiente para defini-la, quiçá demonstrá-la?
Que nunca me faltem palavras ou gestos diante dos meus opositores.
Às vezes calar-se quando a dor emerge é uma saída, não menos fria, à falar em demasia o calor do sentimento. E este se mede?
O sentimento é inusitado. Ele é quem dosa em medidas desiguais, nada uniformes, todo o teu pranto ou alegria.

Hoje, resolvi calar-me. 

Os acontecimentos têm vida própria sem mim... O que tem separado o homem dele mesmo? O que te leva à reflexão nesses dias? 
Presenciamos todos os dias o lobo devorando a presa e não fazemos nada.
Choramos as mais íntimas lágrimas inocentes, qual recheio que tempera a massa. 
O Leão urge. Pelas dores, pelas perdas, pelas desconfianças, pelas faltas. Mas, qual crime sai impune do pranto por ele derramado às sortes que disputam cada qual o seu lado?
O Leão observa. os medos e as vitórias. De antemão ele se prepara para o bote. Qual o homem que diante de sua presa, talvez forte ou indefesa, às vezes recua à própria sorte? Atacar é um risco. Recuar às vezes é o mais sensato. Desistir, seria a pior falta.
Que a paz, venha de onde vier, esteja convosco!

Evoluir seria mesmo necessário?
Onde me levará, por onde irei? 
Evoluir questiona minhas certezas... 
Quanto às dúvidas mereço mesmo é o preço de suas causas: meu silêncio... 
Não dá mais pra ficar criando causas!!! Nós o fazemos o tempo inteiro!!! 
Queremos no fundo é ser amados, respeitados, enobrecidos... 
Mas somos tão falhos e contingentes, que à primeira desilusão, colocamos tudo em xeque. 
Não vou mais roubar do Criador a causa primeira. Vou assumindo as que eu vou criando pelo caminho... Essa é a minha evolução. 

Enjoy a todos!
Que a paz, venha de onde vier, esteja convosco!

Quem ousaria dosar em medidas sinceras as ações de um louco?

Quais valores são colocados à mesa quando trata-se de julgar a faticidade humana, seus apelos e murmúrios, suas falhas ante o muro que separa o homem da perfeição?
Seria a ação mais que a ideia?
Em todo o momento somos avaliados sob o crivo de nossas faltas.
Estão sempre a nos julgar sob o olhar de homens e mulheres tão perfeitos como nós.
Não basta ser bom. O mundo nos obriga a sermos melhores. Não basta ser mau, pois o mundo nos pressiona a potencializarmos sempre nossas maldades.
Não há medidas certas para mentes tão erradas. Nem dá pra ser justo quando o juízo é implacável e soberano. O que torna seres em pessoas, papéis em documentos, afetos em amores, mães em defensoras é a potência dos atos. Somos necessariamente ideias que buscam direção no ato, que anseiam por saciedade.


Descobrindo o sentido da cumplicidade
Busquei sentir que lamento
Não desaguei o pranto de minha mocidade
Como outrora insistia
Deve ser o peso da cruz que invade
Toda minha personalidade ingrata
Passos lentos me levam à santa cidade
Tão morosamente me levanto de minha ignorância
Não sei se dentro ou fora é mais escuro 
Minha felicidade, abro mão
Minha fé, abro mão
Conhecendo-me descubro que nada é verdade
Senão o que sinto dentro
O que vejo se difere de como os outros vêem
Já não sinto igualdade
E o pensamento se eletrifica rumo à santa cidade
Será que lá tem misérias ou iguais equidades
Me disseram que o dono que comanda tudo
Não é bom, ele é justo.
O céu se abriu nessa tarde...

Lembram do sentimento como dosador da existência?
Condicionada está a alma daqueles que não sabem onde olhar. 
Atormentada está a calma do vazio, leve salutar que conduz às beiras de precipícios que amedrontam só de ver... 
Resumir ao nada também não responde às questões... 
E então, o que você me apresenta? Me dê alternativas que condigam tanto com meus ceticismos quanto às esperanças mais profundas que alguns dos precipícios supra citados 
Tem, para além de qualquer sorte, ainda aquela minoria que consegue determinar, ao menos se posicionar diante do precipício. Agir com cautela ou espanto demanda do indivíduo certas condições. Melhor até nem enumerá-las e o discurso tornar-se longo. Então, abra os teus olhos, embora cansados, para a direção interior devidamente polida, moldada e esculpida pelas experiências da vida presente. Permita-se" deixar-se" sentir como espírito cuja áurea emane verdade e beleza. Permita-se. Deixe seu corpo reconhecer que faz parte de uma natureza generosa de discernimento e compreensão. 

Sinta-se plenamente! 






Que a paz, venha de onde vier, esteja conosco!

Valores. até onde podem me levar?
Perante eles sinto na pele castigada pelo sol, que me diminuo pra que eles cresçam. 
A minha vida religiosa terá valores maiores ou menores? O que se põe a determinar comportamentos, assessorar minhas ideias ou defender meus planos? A quem me apego?
Os juízos acalentados de valor que faço do mundo que me cerca, correspondem àqueles que guardo junto às minhas verdades?
Você é você ou aquilo que, de você, eu penso?
Mas se me faltam consciências, suficientemente maduras, para que andares me levam essa construção?
Todos os dias tenho que por abaixo o edifício.
O outro me subordina às suas sortes. Eu me posiciono. Ataco. Me defendo. Me calo. Contesto. Esfrio. me esquento... É o outro que todos os dias me vem dosar um pouco os limites das minhas ações.
Desconstruo a mim mesmo todos os dias, e continuamente me ergo, qual arranha-céu destacando na paisagem; qual ruína que só sabe obstruir a passagem. Quando tento não mais obter respostas, mais compreendo. Quando as respostas me saem prontas, mais me confundo. Posicionar-se, é a sina que me impulsiona a cada dia não desistir de tornar-me moradia fiel às manias do arquiteto.
Render-se à revelia me põe na cara o suor da resistência. 

Lugar nenhum é lugar próximo...
Sim, vou arrumar um tempo, pra assistir ao outro no que lhe apraz...
Meu instinto não tolera mais certas canções. A alma recria numa silenciosa luta interna. Capto, não sinto. Sinto, não vejo. Vejo, não toco. Toco, não reconheço.
Tua mazela não é mais minha também?
Tuas dores são maiores ou melhores que a minha?
Teu prazer me alcança?
Quem tem seu pedaço que se aprume, pois o tempo bem além do sentimento não se contenta com as iniquidades que afloram o tempo inteiro.
Se não há quem me ajude, não sou mais um utópico solitário, na verdade somos uma legião de seres-para-a-morte tão singulares que a vontade-para-a-vida, floresce a cada novo amanhecer.

Passou a noite em claro. Já não mais sentia a temperatura da pele que ora era estável, mas a maior parte do tempo estava fria. O medo lhe inflamara a alma. Sabe que resta pouco tempo, mas bem pouco, que compense o peso de toda sua vida. Medo de ser pouco o amor velado que a dor estampada ofusca o seu brilho. Medo do dragão que agrega junto às suas mazelas, os seus rancores. Medo de se aprisionar à fera que pela janela é escura e infame.

Um copo d'água encobre a mágoa que Ela traz no peito. De um lado a outro dos cômodos insalubres como sua alma, só se vê aflição estampada na mobília. Ao telefone desesperada, tentativas sofridas e eis que então, sussurrando, quase suplicando disse bem baixinho: 
Ouça-me!
E de repente com destreza, com voz clara e frieza, sem pudores, Ela diz:
Eis que vim reivindicar, minha lida
com tristeza em minha voz, reivindico:

Tive tempo e esperei
Meus momentos empurrei
Via abaixo goela adentro.
Como assim, em que errei?
Se assumo é porque tento
Como as palhas eu queimei
Tantos mares naveguei
Vem você com sentimento?

Eu não minto,
Já tentaram e eu não abro mão do meu pressentimento.

Pouco a pouco entretanto
Vem o mundo com espanto
Ofuscar a minha voz
Vem você com calmaria
Com cuidados, ironias
se juntar ao meu algoz

Não às mágoas, eu parei
As intrigas encerrei
Não há mais ressentimento
Hoje eu quero é despertar
Não vou mais incomodar
Nos veremos noutro tempo

Eu não minto,
Já tentaram e eu não abro mão do meu pressentimento.
--------------

Um silêncio eterno invade aquele breve momento ao telefone. Primeiro um leve soluço do outro lado da linha. Ela se mantém firme em seu propósito. Não baixa a guarda. Um leve pranto rompe o frio da narrativa. Ela então, deixa o telefone sem mais respostas, vai até o sofá. Deita-se. Um vazio invade o ambiente sombrio a somar-se às lágrimas. Um leve sono atormenta seu corpo. Dorme. Ali mesmo.
Minha linguagem tornou-se imprópria. Meu espaço tornou-se público. Meu coração partiu-se em várias partes de um mosaico rejuntado por cicatrizes que ora qual estigmas, se lançam em jorros de sangue. Com um lenço umedecido de lágrimas vou estancando aos poucos a cruel sangria.
Como pássaros que corrigem a trajetória rumo ao norte ensolarado, vamos remendando o nosso caminho.
O que é o homem nada mais que um corpo cuja alma busca a satisfação? Quando o outro rompe a nossa resistência, as barreiras insistem até o ponto mediano. Nunca o outro foi tanto as causas dos meus enganos. Minha pele se rompe e descumpre a promessa de medir qualquer lógica. A estética mais que a moral galga sua missão e adoça o fel da normalidade. 
Bebo hoje minha sorte. Hoje fumo minha promessa. Prometo não mentir, não roubar ou fingir. Como incenso, elevo aos mais altos planos, a fumaça clara de minhas decisões. 
Bálsamos acalentam os cortes na pele. É como cura que não sara. Como claridade sem sombras. Como sorriso sem alegria. Como tesouro sem valia. 
Não entristecer já é uma vitória. Arriscar, gozo. Dizem sem compor um verso. Cauterizam-se ao som de belas canções. 






Com quanta luz se faz um sol? Vou subestimando glórias, rechaçando as memórias pra compor um verso. Vou amando menos, correndo menos, chorando menos. Acima de mim estão a bondade e a justiça travando entre si batalhas medievais. 

Ignoraram a vida no verde da paisagem. Abdicaram do prêmio enobrecido de vários tons de sutileza. O trabalho que dá fazer um velho sábio sorrir não pode ser o que faz o contrário. Quando dois sentimentos se cruzam, fica latente a confusão. Então, não dá mais tempo de criar sentimentos novos. Deixe-os chegarem em paz.

Muita boca, pouca fala. Fala nenhuma.
Muito afago, pouco afeto. Nenhum.
Tantas flores, nenhuma cor. Nenhum cheiro.
Com vontade onde falta entusiasmo.
Com carinho sem nenhuma atenção.
Tanta angústia à dor ligeira.
Cantam almas, vagam mentes.

Tua imagem não me incomoda.
Os teus filhos, não conheço.
Tua beleza me incrimina.
E o tempo passa vazio.

E o tempo se esvai. Não há como aprisioná-lo.
Não vale o risco deixá-lo passar ileso.
Muito brilho à pouco ouro.
Muita pena é pouca vaia!

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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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