23 de abr de 2012


Te dou um pouquinho da minha moral
E quero em troca muitos sorrisos
Tenho um banquete de palavras pra te dar
Em contrapartida, a tua mania de me sentir

Quero a compaixão que acalenta
Em troca, tenho escondido no peito, satisfações e alegrias
Queres meu respeito? Me dê liberdade de pensamento
Pra que eu não fique jogando migalhas de versos no asfalto quente

Tens amor aí dentro? Podemos fazer um trato:
Enquanto vou dispensando do meu sem reservas, guarda oportunamente do teu e me dês quando necessariamente eu merecer.
22 de abr de 2012

Eu quero paz e menos guerra
Quero sorrisos mais que pranto
A mão que fique mais aberta
Os pés trafeguem pelos campos
Onde o amor seja repleto
Onde a verdade seja crua
Onde o carinho seja certo
Onde a bondade esteja nua
Vou transformando o meu sossego
E vou plantando a inquietação
O desespero encontra o medo
Os fatos pedem explicação
Pra tanta mágoa dispensada
A confusão arruma um jeito
A mãe fica desconsolada
O pai sucumbe-se ao peito
Esperam minha atitude
Como se eu fosse um herói
Quando bem perto à plenitude
Eu perco e a calma me destrói
Por ser assim tão desalmado
Por não querer o bem alheio
Eu fico triste e envergonhado
A mão divina adveio
Pra me mostrar que sou tão fraco
Deus ratifica o seu caos
Ao bom justifica seu trato
A mim, engôdos no final
Me presenteia com seu manto
Com sua cruz, com seus preceitos
Minha vontade e meu encanto
Se embaralham em meus sonetos
E agora eu estou tão sozinho
Não reconheço a finitude
No cálice, o mesmo vinho
No prato, o pão da plenitude
Mas não consigo olhar pro alto
O chão me é tão desordeiro
À eternidade eu me preparo
A abrir meus olhos por inteiro
Escravos do tesouro incognoscível
Estavam os homens na terra
E Deus feito brilho do por do sol
Encurvara-se à borda do limite da alma

O meu paraíso está ao lado
Está no outro que me olha com gratidão
Mas o inferno também tem seu sítio
Quando o coração deixa de cumprir sua parte
E a promessa divina cai por terra

Deuses e humanos dividem a sorte
E a demanda por demônios cresce no mundo

Crio coisas em minha cabeça
Que fica fácil diagnosticar minhas vontades
Várias imagens se confundem dentro da mente
E o deus mostra seu rosto em disfarces
Que embaralham o pensamento e persuadem
Torna a alma contingente
A esperança efêmera
E reduz ao pó qualquer iniciativa de redenção
Pois a justiça divina está ao lado da moral humana

O bem fica limitado a alguns preceitos
A ação toma conteúdo em formas vazias
A ortodoxia declara inimizade ao homem
E deus, absorve a Lei terrestre

Amor contextualiza submissão
Pertenço, mas não invasivamente
Espero escapar ao sofrimento que atormenta
então, aderi uma vontade alheia ao meu corpo
Na vida sofro, na morte me liberto
Nasço e renasço contra meus propósitos
Pra ser reconhecido entre meus iguais

A intervenção não é humana
Isso justifica minhas fantasias
Quando me perturba o sono tais questões
A droga incerta me dá mais respostas
Que o vão predomínio da fé

Devo gratidão a um desconhecido
E pouca gente está ao meu lado
Quando penso em falar me censuram
E o peso da morte cala a boca do oprimido

Em minhas palavras eu prego o respeito
Que é virtude atemporal
E o medo é um vírus eleito por muitos

Acendem a vela perene e constante
Pra mostrar ao homem, posto que é chama
E que infinitamente dure, enquanto eterno
18 de abr de 2012
"Um tantinho só de afeto vale mais que muitos versos que me cansa o punho em falso no teclado.
A atenção é merecida, vexatória é minha sina - o esquecimento.
Eu não quero as memórias, quero o corpo, quero a glória de um gesto.Quero paz no desespero, quero ser no preconceito, encurtar felicidade.
Sendo branco ou sendo preto, na verdade ou no erro, eu quero estar"
Amanheceu em minha escuridão, os passos foram retomados. Mais uma carteira de cigarro e uns goles de café pra adoçar o gosto do meu vício. Fui direto às páginas de minha elegia endireitar algumas palavras. Um perfume barato assola meu ar, diz um pouco do que sou. Joguei as sementes no campo obscuro. Vou percebendo, sentindo e entendendo minhas fraquezas. A felicidade não comporta tanta insatisfação. O outro não me é amistoso quando falta amor ou dinheiro. Sobretudo quero participar do sonho da alma redenta, que espera ansiosa o encontro divinal.
Quero decifrar o que se esconde atrás da pele 
O que está entre o fogo e a fumaça
A relação entre os iguais

Uma bomba estourara entre os dedos da mão do criador
Um bocado de gente supõe entre a gente a culpa e a remissão
Vamos fumar das mazelas, beber das loucuras e juntos enfrentar o caos
Grande é o homem que inventa outra forma e tenta à margem sobreviver
Eu me retraio confuso, enganos me vencem e acabo cedendo ao prazer
Quanta razão me condena, me escondo na sombra que é a verdade cruel
Os olhos não se dilatam no sol que maltrata os pequenos que choram de dor
Minha canção ameniza, estraga e dizima qualquer esperança de paz
Não quero ser tão sincero, prefiro no gesto incomum garantir a atenção
Deus me virá glorioso, espero ansioso o dia oportuno que celebrará o final
17 de abr de 2012
E novamente estava ele embriagadamente notável. Nunca vi noutro alcoolista tamanha gratidão. Meus olhos pareciam assemelhar-se aos seus. Como de costume em nossos breves encontros, sugeri uma nova virtude e um novo defeito, afim de sua apreciação.
- Coragem e preguiça! - Sem menores excitações, fui direto. E com tamanha pujança e inviolável destreza, me disse sem menores entraves:
- Se ter a coragem me traz uma virtude e na preguiça percebo um vício, assumo o risco que me opõe à premissa. Como pode a coragem ser predominantemente uma virtude quando o tempo inteiro fujo ao que me é naturalmente peculiar? A coragem passo-a-passo vai tornando-se invasiva ao passo que a preguiça me remete à esperança, maior das virtudes. Naturalmente opostas no conceito porém, indiscutivelmente idênticas na forma.

Caía sofrente a mãe do demente, implacável
Que entre poesias agia de forma arbitrária
O sol foi tão quente que a alma da gente dormia
A mente imponente à cruz, inocente, morria
Não dorme, só mediante a droga fiel e contida
Chorando o demente da sorte cruel recorria
Sua mãe insurgente não teme o leito esquecido
E toda mistura contesta a pureza da origem
Se o natural se envolve com a divindade
Confunde o doente na fé eloquente e contrita
Respira na água, no ventre do quarto escuro
Se dosa e administra seus próprios limites


Cheguei já bem tarde do dia suado
Beijei três crianças na testa encurvado
Na mulher amada um beijo de glória
Um banho no corpo sem tanta agonia

Comi da panela um banquete sofrido
Na TV aberta notícia de crime
Os três para a cama, amanhã tem escola
Prepara a marmita, um bocado de frango

De noite na cama ela tava asseada
Cheirosa, alegre, um prêmio da luta
Amei - por três vezes - ela me dizendo
Tu és meu escravo - eu sou tua ama
Rainha na falta, serpente no gesto
Dormi por três horas um sono completo
Acordei na aurora, no ocaso da festa
Restos de comida alimentam multidões
E minha nudez anda ameaçada
Os dias me passam eternos
E minhas falas são armas obsoletas
Ninguém me compreende. Tenho fome. Tenho sede. Vontades. Temores.
A bolha em torno ao sol. Me sinto como raios ultravioletas no universo dos mortais.
Não. Não sou mortal. Antes, ninguém sabe os mares onde trafeguei. O crime foi muito menor visto os riscos da contenda. E na maratona expus meus ossos. Nas vinganças, saía perdendo. Prejuízo. Ambiguidade. Me imortalizei no brilho amargo de minhas crenças. A bolha explodira adiante. O tempo e o espaço reuniram-se e elevaram-me acima da insatisfação dos olhos dos que me perseguiam. A omissão nuca foi por mim, de direito, levada a finco. Meus ossos como encanto, se revestiam de carne. Nobre. E ganhei muito mais do que merecia, já me bastaria o justo.



Vou cortar em pedaços de rigor meus tomates
Em recorte, fino trato, fina sorte 
Em cores tão prensadas
Um verde obscuro
Tomates cor de morte
Tensão que insinua
Escola da discórdia
Infernos tão urbanos
Polêmica desordem
Enfeitam a salada
Na faca ultrapassada
Na fronte do tomate
Tomates verdes fortes
Tão frágeis como a morte
No sal são saborosos
No doce são insanos
A lei se endurece
A chuva lhes é santa
O sol lhes adormece
Enfim lhes é tolida
A vida que se apaga
Uns passos me levam ao desconforto que eleva ao imperfeito e encosto, um pedaço do meu ser ou do meu corpo. Fanfarras na rua celebram a passagem do Pai. Escadas vão caindo. E junto, vão uma série de almas esquecidas no vácuo de existências medíocres.
O filho chora a morte de quem lhe deu a vida. E a vida sorri do desespero daqueles que buscam eternizá-la. Haverá um eterno ou efêmero deus que me possa abrir os olhos quando estou bem perto da queda?
Serenos apaziguam minha sorteAndo plantando as próprias mentiras
E regando o austero gemido
Para desassossego da mente
E descaso da humanidade
Que me atormenta e cala
E me deixa na condição marginal
Quando eu não sei me calar
Quando eu não tenho desprezo
Deixo a minha mágoa chorar
Pois o verso se esconde na lágrima
Comunica no gesto a palavra
E as mentiras se tornam verdades
Quando assumo o engano do íntimo
E resguardo a certeza não dita
Para o acalanto da alma maldita
E o perfume entontece os demais.
Adormeço quando fujo
E não entendo quando falo
Tempo além do meu juízo
Canto aos poucos pra não ser tão desalmado
Que no pé me arde a agonia de meus calos
Corro pra não parar
Aguardo ansioso o sol oportuno
Espelha em minha imagem um homem fraco
Que chora quando é tempo de alegria
E escolhe quando não há esperança
Fujo dos meus limites
Pra sentir melhor o ar
Podo meus galhos bem curto
Pra não dar tempo de corromper-me
Sou moderno e obsoleto
E o erro depende da época
Justifica-se à medida do sonho
Frutifico certezas pra não corroer o estômago
E no âmago ficam restos de solidão
Quero amar sem a medida dos meus juízos
Pra sentir felicidade
E deixar de fora qualquer maldade
"Leva o leve espírito que o alvo torto deixou-se atingir pela munição fraca do destino. Santo canto que na destreza constrói a estrada do coração escravo do perigo. O sexo traz o nexo aos corpos quando o gozo aflora a pele. A imundície do homem rouba-lhe o instinto e a loucura o torna melhor. O plano do sábio está prestes a ser revelado e Deus reivindica sua parte."
Quiçá eu veja melhor,
Quando a dor se elevar à chama
E de cama em cama
Possa eu me esquecer e me esquentar
E não julgo os olhares vis
que esperam me ver em sombra
Pra que eu não ostente a claridade
Nem mesmo eu suporte a sorte
Que da morte uma chance se lance
E a semente no breu germine à face
Pois o amor é o utópico enlace
Que todos percorrem em águas correntes

Quiçá eu entenda o outro,
Quando o sol se esquecer de nascer
E a lágrima deixar de cair
Crescer é um ato do ser
Eu pretendo não mais insistir
Mesmo quando sofrer é o encanto
Quer mazelas ou ar puro do campo
Vou juntando os pedaços de mim
Pra no fim ter ao menos sossego

Quiçá eu ame,
E convicto eu me traia em meus ais
Pois cantando eu recito o dia
Em que vi meus desejos fatais
Infiltrar a pele na noite tardia
Vagarosamente na ruga escondida
Os meus pés choravam à mágoa e à míngua
E inconstante me tornara em o que vês
Pra jamais me esquecer do meu pecado
E no poente, a lente espessa em meus olhos
Bem como o barro agoniado da ilusão
e esfregado junto à lágrima obscura
A noite chega e clareia o universo
Iluminando o escuro de meus versos
Um pedaço de mim suspira altoO outro pedaço, chama
Um pedaço não sabe bem quem sabe
O outro pedaço, invade
Um pedaço suplica a outra parte
Mais que desespero ou morte
É a parte que te cabe

Um pedaço de mim não se corrompe
O outro é um enlace ambulante
Um pedaço não resiste ao toque
Já o outro se bate
Um pedaço insiste em comover-se
Quando a dor caminha ao lado
É a parte que te cabe

Um pedaço de mim é cintilante
O outro um pedaço de brilhante
Um pedaço só pensa em humilhar
O outro não cessa de julgar
Um pedaço não planta o que colhe
Quando o crime resvala à sorte
É a parte que te cabe

Um pedaço de mim é obscuro
O outro pedaço, inseguro
Um pedaço questiona o tempo inteiro
Já o outro suspira por sossego
Um pedaço ama além da sua vontade
Quando o chão é o leito indivisivo
É a parte que te cabe
15 de abr de 2012
Respiro a fumaça fúnebre que se eleva ao céu
Será quando Deus criava ele observava os tons?
E a chama o homem teve que inventar!
A minha indisciplina é o que não tem razão
E a pele implora o perdão ao sol
As águas se encontram sujas de sangue irracional
Na rua não tem uma árvore
Diante dos filhos é que vejo um porvir melhor
O meu otimismo é cultural
Meu sexo não satisfaz a fiel reprodução
E o plano divino confunde o mal
Convivo com o inimigo que é imparcial
Só quer seu caminho livre 
No livro da origem fala que somos tão iguais
Não há distinção de raça ou cor
E a culpa recai ao homem que come da maçã
Rasteja igual ao enganador
Matando e poluindo são o que faço de melhor
Produzo o lixo e mato o chão
E cotidianamente vou seguindo a fumaça
Pra chegar bem perto de Deus.
Para o verso - a rima
Para o sucesso - o prêmio
Ao meu fracasso - a sina
Para a escrita - o gênio

Para o verde - o mato
Para o corpo - a dança
Ao argumento - o fato
Para a vitória - a lança

Para o cinza - o breu
Para a pele - a sombra
Ao teu amor - o meu
À tua droga - a lombra

Chega de até - o adeus
Chega com fogo - a chama
Aos meus carinhos - os teus
Junto aos meus pés - a lama

Quero poder - o lixo
Para o orgasmo - a cama
Ao meu ouvido - o grito
Toda comédia - o drama

Vamos tentar - o novo
Vamos sorrir - a boca
Para o engano - o povo
Toda miséria - é pouca

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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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