31 de mai de 2012
E o corpo envolveu-se no manto das mãos do iníquo. Entre suas pernas, outras se viam acima do direito e da vontade do pobre corpo. Entregara-se contra as próprias convicções. A barba acometera sua nuca, e as pestanas impetuosas ziguezagueavam-se pela bochecha que, rigidamente respondia à sensação de aflição. Na calma incomum de um cheiro, deixava-se tocar. E, sem meias delongas, a mão espiã, cúmplice de tais violências, adentrara-se justo ao dorso na insistência de persuadir a presa que só almejava a conquista de tamanho assédio. E entregara-se. De repente, eis que a mão iniciara o percurso sombrio. A boca do algoz aproximara-se do seio, violando-o. Minutos depois, implorara ao senhor mais afeto. E menos pudor lhe acometia, inóspita face. Pareciam copular como fazem os primatas. Em meio a tanta ironia, e escravos do acometimento, violavam-se, logo na tarde ensolarada no deserto dos sonhos daquela alma. Temia os horrores de amores por homens tão violentos. Lhe atraía certo tipo de homem. Tão singular, buscava auxílio em tantos destes o quanto lhe aparecessem à sua frente. Vendia-se por uns minutos de puro masoquismo. De puro prazer.

E o cheiro infame do desejo nunca lhe foi tão amistoso.
Tanta gente que sentia e por ironia não se asseava e nem se tocava durante o desejo todo na bandeja em frente às quimeras em meio a passarelas no campo, cidade, sertão. Venha curtir um pouco do meu desgosto e acorrentar nossa desgraça, passa, tudo-passa, e janta, e morde o contexto, léguas de mágoas prevaricando a canção. No poder, na riqueza, fama ou tristeza se tenho a posse na mão. Posso mais do que a mim mesmo, mais que o meu beijo e um prato servido de pão. Bebo quando eu quero rema e velas, possa navegar pelo azul. Mares trazem incertezas, ventos, correntezas de um tempo em que eu mais sofri. Quando remotamente eu vagava em mentes cruéis do espaço vazio de gente, família, deus ou poesia, ou alguém. Todos somos filhos da língua. Só não falamos ao mesmo deus. E como o homem pode matar o homem se descumpre um preceito divino? Agora implora beleza, justiça, certeza, só quer outra opinião. Não sabe falar com bondade, com alteridade, não sabe nem com exatidão.
Ao criador ergui meu pensamento
Pois, já há algum tempo
Que a mente indiscreta fica na espreita
E o bote é certeiro

Qual seria o sexo do feto
Envolto ao próprio veneno escondido no íntimo?

À serpente, talvez não lhe aprouvessem maçãs

Quantas e mais quantas seções de prazer serão necessárias
Para provar o improvável?
Haverá amor indivisivo quando, no veto, lhe é tolida tal sorte?

E o filho pregava amor sem medida. Restou-lhe a cruz e a espada

Quantos valores vencidos, amores perdidos e ventres tão híbridos provarão tal magia?
Morais antigas se articulando em hábitos tão comumente dementes

Privilégio de um grupo tão falido - a lei e o divino comungam da mesma ideia
E a hipocrisia transcende. Descende. Ascende. Reproduzem filhos de juízos insensatos
Pois, mais vale ser aceito enquanto crente, que carregar a mácula da impiedade

E o juízo, qual bote da mente,
é certeiro





Em teus olhos vejo luz
Me guiando para fora de mim
Me extraindo de minhas certezas
Me levando para o mar da inquietação
Lá onde o horizonte se encontra
Com o limite de meus sonhos

Me resguardo em teu olhar
Que acalenta meu desassossego
O ego das paixões, arrebentas dentro

Teu tempo diverge minha ansiedade e,
Começo a duvidar
Questiono a crueldade dos meus atos
O meu preparo relapso
A minha fé inóspita
Os meus pés cansados

Teu olhar me diz mais de mim
Do que pensei outrora
Do que julguei
Das necessidades que criei
Dos tormentos que passei

Vamos juntos ver os mares de nossas certezas
Pra lá naufragá-los
E no ocaso certo
Na esperança comedida
Eu possa reconhecer em teus olhos
O colírio que desnuda meu anseio
Que clareia minha vista
Que ameniza meu pranto
Que determina meu encanto
E desarticula o manto escuro
Que ofusca a minha visão de mundo

Pra quando o outro me vir
Possa eu ver o outro



30 de mai de 2012
Ante a máscara o destino fez-se ao longo um pensamento
Desmascarando sentidos vou falar de alguns momentos
Evoluindo com calma acompanhe o movimento
Eu, então me apresento - me chamo conhecimento.

Para quem me ignora, eu só peço um instante
Vou me abordar agora - livro aberto na estante
E relendo minha história peço a você - não se canse!
Vou tentar ser bem discreto, sem abuso, sem afronte.

Abra a janela pro mundo deixe ele te explorar
Rapidinho como um “susto” vamos a mesa virar
Ele é quem será o assunto que eu vou interpretar

Sobre mim tentaram um dia a minha boca calar
Quando eu disse sem ironia sou “divino” a criar
Construindo, destruindo o temor era meu par
O homem entendia o mundo como uma fera voraz

Era assim que eu me mostrava, esse era meu valor
Era como entendiam a felicidade e a dor
Vários gritos insistiam - “piedade meu senhor”!

Bem menino eu conhecia
incas, maias, negro e índio
Os astecas, macedônios, o hebreu e o egípcio
a mim prestavam seu culto
Seja bom ou seja ímpio.

Uma vida após a morte era o que garantia
como uma cafetina ser usada à revelia
explicando a natureza: dia-noite, noite-dia
era como aquela gente, me usando, entendia.

Ou dragão ou o coelho neste ano se entendeu
que mais fraco é o homem, mas com o bicho ele se ergueu
e naquele continente tanto bicho virou gente
dinastia à dinastia, como eu fui intransigente.

Ilíade e Odisséia sustentavam o meu vício
se é certo ou errado, se é feio ou bonito
de longe se amedrontavam
os gregos e os fenícios.

Supersticiosamente, com estranheza me despia
pra banhar-me ao mar aberto que o cajado insistia
mandando os mandamentos contra toda hipocrisia.

Eu sou forte, eu sou guia da mais pura transparência
e de longe se avista toda minha onipotência
seja escravo ou liberto, eu já sei o rumo certo
povo com onisciência.

Com estes povos aprendi, neles muito eu vivi, neles muito fui atroz
pungente, fui desumano ao me esconder no pano da mais pura ironia
foram, comigo, feroz transformado em algoz do centro à periferia
e a aurora vislumbrava a luz da sabedoria
vinha ela toda prosa, seu nome: Filosofia.

Pouco a pouco eu insurgia em transformar esse guia
“opinar não é certeza”
vir-a-ser da água ao fogo, ser o fluxo ou engodo
imutável natureza
eterno e efemeridade, ser dois e ser unidade
resistindo à vela acesa.

De repente como moça bem vestida eu me sentia
muitos chegavam com fome, ao banquete, à orgia
eu chegava à mocidade refletindo a alegria.

Racionalidade era
bruta, forte: a verdade
que se mascarava em fera
no discurso da vaidade
outros amavam a justiça
buscando felicidade.

Toda minha impressão vinha de uma sensação
me tocando, me senti
e o homem bem vulgar não ousou em separar-se
da minha indecisão
sempre a desmoralizar, meu papel é declarar-me:
sou a indeterminação.

A buscar um mundo novo, dei a vida por meu povo
que vivia na incerteza
eu só quero a verdade, seja em busca da bondade
da justiça, ou beleza
condenado, tapo os olhos pra não ver tanta impureza.

A tua “mundanidade” te faz frágil e sensível
venha à polis sem o medo, conhecer o meu segredo
vou tornar-me atingível
se na sombra eu te deixava era porque eu achava
a imagem desprezível
como o sol de um longo dia fiz-me escravo da ironia
na luz me tornei visível.


Pela falta ou pelo excesso vou abrir meu manifesto
o equilíbrio é humano
temperança ou bondade, justiça e honestidade
juntas contradizem o engano
pelas ruas da cidade propagando a trindade
induzindo, esse é o plano.
De-mim doeu
De-mim
De-mim doeu, doeu
De-mim

De-tu-pra-mim vivia na cidade
Ensolarada coberta de fogo
De-tu-pra-mim fingiu sinceridade
E nem queria partilhar do jogo

Em oração pedi Ao-tu-de-lá
Era um amigo daqueles de infância
Que ao meu encontro, se achegasse já
Ao-tu-de-lá me disse em ignorância:

De-tu-pra-mim em que foi importante
Pelos momentos ou pelas lembranças
Porém, não faças com que o coração
Se resigne ao-tu por esperanças!

De-tu-pra-mim, enfim foi descoberto
Não vive pra servir à alteridade
Então me vi com o coração aberto
De-mim agora quer felicidade

Mas eu confesso que doeu lá dentro

De-mim doeu
De-mim
De-mim doeu, doeu
De-mim






E ata, desata, encobre, envolve, arrisca, despista, descobre, a malícia - do corpo ceder
Tarado, mesquinho, calado, discreto, safado, não paro, ao seu lado - nem quero saber
Se deixo, me enxugo, me molho, me sento, ao lado, escuto, um fado - só pra merecer
De noite, o dia, a lua, o ensolarado, me engasgo, em tanto, embaralho - e prazer
De ter bem do lado, encostado, virado, na frente, da gente - o suspiro atrever
E faço, de frente, com festa, na nuca, na testa, nos pés, na virilha - ânsia em acontecer
De fato, desato, a blusa, a saia, confusa, sem medo, me esfrego, entrego - devo me conter
Se tenho, enlaço, refaço, no meio, da chuva, me usa, abusa, da fé - em dizer
Com gosto, encaixo, debaixo, com qualquer destreza, pureza, a certeza - de me entreter
Meu coração, bate, rebate, debato, na cama, à frente, sofrida, valente - só quero acender
A chama, de dentro, de fora, aflora, deflora, comete, repete, remete, a partilha - do crer
No jeito, no gesto, se alcança, o ódio, esperança, duelo, do eu, ou do ego - do ser
29 de mai de 2012
Paralelo ao amor - o desejo
Quer do corpo - a cobiça
Quer da pele - o anseio

Não há quem lhe conheça - o dentro
E nem quem lhe mereça - o afeto
Só por qualquer cheiro - ou qualquer devaneio
Viola o corpo sem mácula - obsceno

Desmascarada a serpente enganadora
Só para o proveito do umbigo
Como preso ao feto inóspito

No alvo de suas mazelas
Estão as mentes que fingem o engano
Ledo engano,
E nas sutilezas do demente, caem as almas
Cedem aos mundanos prazeres

Estará no pensamento, instinto ou lamento
A lógica de seus atos?
Na boca, lábios, ânus
Em suas partes mais íntimas
Inebriam-se de si mesmas
E lhe compraz o corpo, o toque ou decoro

Em sua mente só importa o fetiche
Sem a graça, a desgraça se assola
E o distúrbio profana a ordem das coisas









28 de mai de 2012
Desprendi-me do que em mim era tão relevante
Quando os olhos fechavam-se à procura de luz
Toda imagem passava feito fotografia

Não quero mais cantar aquelas velhas canções
De um tempo obscuro
Minha porção de vaidade desestruturara-se
A pele ressecada, o choro partido em muitos pedaços de mim
Já não me afligem tanto
Mandei-os para a infernidade
E, contra qualquer silogismo,
Que vá para a eternidade do submundo da memória
Lá onde se cochicham alguns segredos
Não mais tão importantes,
Os mandei.






27 de mai de 2012
Quero que a rima se acerte
E o sol adormecido desperte
E recomecemos um novo o dia

Ainda que por ironia
Os sonhos resistam aos próprios desejos
Ao toque, rimo com beijo
Espelho com face
Receio com medo

O nada aproxima-se do engano
A covardia envolveu-se no pano
Pra não desacatar a coragem
E desmistificar o divino
Que habita dentro da imagem do sonho
E desperta na rima incomum

Os lábios sussurram vontades
Os males, verdades
Que então, descortinam a cena muda
A casa do corpo, espera do outro
O gosto que lhe apraz

Não tenho certeza
Mas algo insiste no peito
Queria ter em mim o que no outro eu desejo tanto










Questão de destino, a vida
Não tenho um caminho que me valha
À beira do descaso, espelhos que me remetam ao íntimo
Pra não desbocar nos mares de meu pranto
E nem encurtar com pontes as verdades de elos tão distintos

Questão de acerto - o ganho
A planta precisa do sol, da chuva, do vento
E suas sementes se espalham ao canto de pássaros
Ou na nudez da poluição de meus atos

Questão de ordem - as palavras
Mesmo que doam, necessárias
Na boca do homem, lanças a ferir ou acalentar

Questão de sexo - o gênero
E Deus vai escolhendo quem mereça o céu
Morais violentam meu corpo
Justificando dúvidas e certezas
A fim de conquistar o mérito divino

Questão de céu - infernos na minha cabeça
E mundos invadem o meu mundo
E me dizem tão pouco de mim
Que não me vale a pena sofrer por tão pouco

Questão de amizade - intrigas
E descobriu-se que os erros são pequenos
Quando o coração está tranquilo

Questão de sucesso - assessoria
Tão provado quanto a água mole
Que perfura as mentes não tão brilhantes
Ou resvalam-se no irrelevante
Pra alavancar egos
Quer falsos, sinceros ou inocentes




26 de mai de 2012
Esqueçamos a dúvida tão dividida
Que o penhor do coração é revelia
Desistirá da sina dura enquanto insista
E o mundo exclua sua culpa desmentida
Portanto faça-me feliz antes do dia
Na noite imerja a suntuosa alegria
E dividamos a dúvida desmerecida
Não nos vejamos nem abaixo, nem acima

Quem és tu, ou quem sou eu quando eu peço
E quando triste, mais ou menos desconverso
Aliviamos cada dor, rima ou verso
E rejuntando com palavras eu confesso
Para na estrofe não aparecer inverso
Pequeno mundo é o meu grande universo




25 de mai de 2012

À confusão, uma vereda
Ao ter certeza, duvido
Ao coração, qualquer pureza
Para o diálogo, ouvido
À minha cegueira, um guia
Desilusão, o desafeto
Reconstrução, de volta ao feto
Aos calmos versos, anarquia
Na sutileza, faca amolada
Insensatez, desolação
Incompetência, a coerção
Ao coração, rasga a espada
Pra descobrir, a intenção
Intuição, desoladora
Vou insistir em meus silêncio
Vou insistir em minhas palavras


Ao sorriso um punhado de pureza
Ao sarcasmo, um pedaço de aflição
Aos amigos uma série de espelhos
Ao espelho, um punhado de verdades
Às verdades, quero que o mundo alcance

Me comportava feito uma criança
Pra disfarçar minha sinceridade
Já não pedia a Deus sua piedade
Em desabafos cometia crimes

Toda verdade ousou em vir à tona
E com descaso observava menos
Desconcentrado andava meu instinto
Toda palavra se perdia ao ato

Traços da minha religiosidade
Desabitavam o templo indivisivo
E na certeza da eternidade
Não entendi o tamanho da falta


Desato o nó com muita paciência
Enquanto invento outra necessidade
Por mais que eu queira, pouco faço uso
De umas palavras que desaborrecem


Esquecido me volto contra o mundo
Desconcertado à sombra da maldade
Quem poderia assumir a culpa
Idade chega mostrando os limites


Nem inocente, nem ignorante
Nem complacente ou estontecido
Sem ter certeza eu acerto o alvo
E descontente sorrio da inverdade


Convicções me trazem a imagem
De uma mudança que é necessidade
Ao crescimento humano dentro do peito
Esqueço os males e a iniquidade









24 de mai de 2012
Tive vontade mas eu tinha medo
E pelo medo fiquei na vontade
Entre desejos eu sonhei com o beijo
E entre beijos restou a saudade

Basta a fagulha de uma intuição 
Pra desfazer o mal que há no peito
Subordinada fica a paixão
E o pensamento quer entendimento

Toda mania hoje é reduzida
Enquanto o frio paira na cidade
Me confundiram com uma semente
Que é germinada à beira da maldade

Tem tanta gente que não entendeu
Mais gente ainda que jamais sabia
Da antiga chama - quem a acendeu?
Virá o amor dizer em elegia

Não sou amado pelos insensatos
Nem cobiçado entre os imorais
Em que te assemelharias o ato
A morte ao filho entregue pelo pai?

Em qualquer canto, canto sem intriga
Pra agonizar o mal que levo dentro
E ao amor eu canto essa cantiga
E sem querer eu entendi a tempo

[que] 
Tive vontade mas eu tinha medo
E pelo medo fiquei na vontade
Entre desejos eu sonhei com o beijo
E entre beijos restou a saudade











23 de mai de 2012
Tô na maresia que resiste à maré
Terra boa é terra à vista, terra à beça
Quebra na parede da areia seu rancor
Na enseada do desejo ela me alcança
Paira à frente fria um vento quente de manhã
E à tarde ele vira e roda a vela
Na loucura o mar se enfurece ao entardecer
Na noitinha ele se agita e faz sua festa
Manhãzinha bem mansinho ele se aquieta

E quem sabe a lua faça novamente sua magia


22 de mai de 2012
Leva-me junto a ti
Por onde andares, vou
Provarei do afã
Vamos sentir o abraço

Nem que eu fique só
Vou arriscar no nó
Que vai se desatar
Faremos um laço bonito

Jurei não mais chorar
Prometi não sofrer
E se eu desmerecer
Que eu não me arrependa

Venço a timidez
Me levanto ao cair
Não desisto em tentar
Teu cheiro acalma minh'alma

Te aproximarás de mim
Ou de um alguém melhor
Quem saberá o pior
Se te permitires em ter-me

Toda compreensão
Deveras, concessão
Tamanha redenção
E os corpos se entregam sem mágoa

Pra desmentir o mau
Pra desatar o nó
Pra resistir a dor
E juntos amar sem medida

A canção já tocou
Poesias sem fim
É como meu amor
Beleza de versos em versos



Basta de amar em demasia
Veja, hoje não sou mais o mesmo
O corpo já não veste a fantasia
E os lábios não desejam mais o beijo
Pele além da pele
Riso aquém do pranto
Frio enquanto a febre
De um louco
Não suspira por mais roto coração
Roto coração


Não mereceria tua chama
Por mais que eu ainda a merecesse
Não lhe roubaria ainda a fama
Nem cobiçaria teu descaso
De haver deixado o suspiro
Por mais roto coração


Roto coração tu me deixaste
Quando eu minto é para ser verdade
Contra meu suspiro indivisivo
Nem à tona mais a chama ascende
Nem mais  teu desejo me invade
20 de mai de 2012

No meu pé caiu o nó
Pra iluminar a loucura
E de quando em vez atroz
Zoando da desmesura
Paralelepípedo
Androgenia nos gestos
Queira palma queima o pó
Pra duvidar de certezas
Tem na cara a máscara
Transporta só alegria
A cartilha eu sei de cor
As cores da calmaria
Na cabeça eu sou ator
Pra desviar da tristeza
Quem me chamaria a sós
Sem medo e sem fantasia
A pujança me apraz
E não me tem junto à pele
Abra o leque de opções
Quero porções de afago
Tua palavra me distrai
Inspira e transpira o corpo
O afã é o pai da fé
Dissimulados destinos
Tanto tempo entre os demais
A noite é escura e fria
Ladeado estão os meus
E deus chancela a pureza
Que está nos pés então
O guia do pensamento
Atrair na confusão
O que de fato é a ideia?

19 de mai de 2012
Caiam na folia que o Rei está chegando!
Vamos festejar o nosso Império e agradecer cada conquista
Unidos, chorar as nossas perdas, assumir nossas fraquezas
Pra não mais cometer erros
Sentido há na morte que se rende ao limite que supera qualquer crime, entendimento ou ciência

Pense como quiser, intenção ou desengano, compaixão ou penitência, desespero ou desencanto, remissão ou recompensa, discrição ou sentimento, azar, sorte ou tormenta. Se amar é um dom, de onde ele parte? Do peito carente do homem? Emanação da Natureza? Sobrenatural? Do outro?
Seja de onde for, onde quer que esteja, motivará meu crime? me trará a graça? desgraça? 

A pele repele o choque. Meu peito esconde-se em meu rosto. Muda de lugar. A boca começa a sangrar, e começa a entender a sua fisiologia. O descompassado coração vai parar nas trêmulas pernas. Tão frágeis assumem funções tão honrosas! E então, tudo começa a mudar de figura: O que sou na verdade; o que flui das palavras; os caminhos por onde ando...
Fui pego na fraqueza de meu choro
Que sabia que trágico e cômico
É o futuro dos meus versos em meio ao caos
Toda a poesia qual poeira de um conto
E toda a terra engoliria a alma da loucura
Pra despertar dentro o pecado original

Virá Deus encantar-nos com seus salmos
E despertar-nos com seus cânticos dos cânticos
Em minha aurora estão as pedras esculpidas
Pela miséria e misericórdia!

Aos dedos intranquilos, cigarro
Às marcas na pele, disfarce
Ao estômago doente, o amargo
Ao véu imprudente, a face

Quando não sei ao certo, me calo
E na dúvida cruel, me escondo
Para ser entendido, me escondo
E não ser confundido, me calo

Os heróis de outrora, se foram
As manias e gostos também
Como então refazer tudo novo
Se chorando não mais me comovo
E as palavras não mais me contêm?

Abro a mão e só acho o vazio
Fecho os olhos com medo do outro
No trabalho, fatídico engodo
Não entendem quando sou tão claro
Para eu ser mais tranquilo, distraio
E engano um bocado de gente
Que só tem uma arma, o juízo
Que não me alimenta na noite
E nem me acalenta no pranto

"A cabeça doida manda a boca confusa se calar. O coração indiscreto, insatisfeito com os desmandos da testa, distrai o pensamento pra que os lábios se movimentem aleatórios. O corpo não entende a lógica incerta de seus membros. Quer cama, bebida, quer droga, comida. Quer que o desejo se cumpra e os instintos transpirem na pele castigada pelo vento frio. As mãos se fecham, os pés retraem-se. Internamente, os olhos abrem-se para entender o jogo. Não há cheiro melhor que a contenda. E no casulo do corpo onde residem as sensações, sangue e pensamentos seguem seu curso." 
para um mundo tão alienado: o sonho ou a fantasia?
ao coração apertado: a angústia ou a alegria?

dormindo ou acordado: a solidão ou a companhia?
à língua tão afiada : a metáfora ou a alegoria?

quero um pedaço de pano qualquer
para cobrir a pele da noite fria

à quem não entender meus eufemismos
não me obrigue à ineficiência da recíproca
que peleja pela troca resistindo ao próprio sonho
ou fantasia

Quero encontrar-me quando penso
E refletindo entendo
Que no meu peito existe
Mais que um pedaço de sonho
Mais que algumas memórias de riso


E nos tecidos internos do coração
Tem um bocado de sangue
Um punhado de gente 
Uma série de esperanças
Incontáveis emoções confusas
Que alimentam o resto do corpo faminto
E, de sensação em sensação
Vou aprendendo a julgar meus instintos


Passam por aquelas paredes uma série de escolhas
Dilemas, tabus e incertezas
Verdades que a razão já não concebe


O coração está cansado da resistência do umbigo
Da impaciência da alma
Da incompetência do espírito


Quer libertar-se da inércia da pele 
Que o aprisiona dentro do peito
Quer ver distante o choro que o maltrata,
Entender o amor que tanto o disturba
E superar o momento derradeiro 

"Escolhas me levam ao desacato
Espero descobrir quando me escondo
E esquecer ao lembrar-me
Quando amo é que mais odeio
Ao chamar-te, a solidão me guia
Aguardando não sei esperar
Vamos romper o desencontro
Entendimentos me levam à dúvida
E atento, se aproxima o distúrbio
Quero calma na desordem da alma
E um deus no meio da minha confusão"
15 de mai de 2012
De manhã cedo meu desejo, meu esquecimento invadiu minha tristeza só deixando a destreza do destino
De vez em quando meu desejo, a humanidade não entende a ironia entre a dor ou agonia indagando a memória
Na tardezinha meu desejo, o homem negro quer no branco ver o índio quer pelado ou vestido com seu manto poderoso
E à noitinha meu desejo, quer ter no beijo a vontade proibida do desejo em meu desejo e dos meus ais toda alegria
Contra a indecisão a falaContra o desespero, a chama
Para o desejo, a calma
Para saúde, cama

Minha senhora, ame
Meu pai quer só saúde
O coração em pane
À quem tem frio, ajude

Adiaram a promessa
Viagem, no outro ano
comemorar na festa
Desacordar do engano

O teu sorriso alegra
Quando eu insisto ao choro
Murchando está a relva
Já nasce enfim o broto
Pela dor ou pela terra
O suor molhará a pele
Menos paz, menos espera
Menos cruz pesada ou leve
Quero que toda censura, pouco uso da lisura
Ou qualquer moralidade
Possa retratar-se ao homem, mero escravo do desejo
Demasiada falsidade
Sinto muito pela fala, pelo dom, pela desgraça
Não queria ofender-te
Uma série de verdades, de sutis banalidades
Meu dever é proteger-te

Um bocado de pessoas escondeu-se da noite
Pra viver enquanto dia, ser a luz que alumia
No interior do peito
Nas paredes internas de meu coração tão roto
Brilham luzes escondidas
13 de mai de 2012

A mulher está no cio e as palavras não são certas
Os meus pés, por um fio, e o dragão está alerta
Os pedaços de arame arrepiam o corpo inteiro
Deixam em farpas meu caminho e entorpece com seu cheiro
Tanta mágoa insistindo, toda lágrima caindo
Traições me indagando, toda raiva se esvaindo 
Alegria minha terra, alegria meu irmão
Hoje o sol raiou com força, sua luz com precisão
Paciência é sinal de espera em algo incerto
O meu tempo limitado, Deus virá em manifesto
Pra dizer à criatura que o espaço, não o tempo
É quem confunde o sentido, igual frio para o vento
Não há sentimento nu que se dê pertencimento
Humanizo o espírito ou liberto o pensamento?


Dos pés à cabeça:
- No que estais pensando?
Da cabeça aos pés:
- Em que via percorrer!


Quero andar acima dos meus olhos
Acima do horizonte vulgar
Quando passar a chuva
E o sol volta ao seu brilho matutino
Nuvens me mordam antes de despertar
Do sono impiedoso de sabores noturnos


América é o meu destino
A lógica, meu desatino
A sórdida emoção canta quando quer calar-se
Não meço. Mereço amor que me complete
Um bocado de aguardente basta pra instigar a alegria
Beleza à flor do umbigo não carece de complementos
Emana-se despretensiosa
Divaga-se no vento


Vamos pra América
Talvez lá amores se entreguem à luz da mansidão
Somos tão iguais que nem mesmo sentimos mais 
O que nos é peculiar

8 de mai de 2012
IMe resta pouco
E vou desacertando o tempo
Pra ganhar mais prazo
E vou querendo esconder pra não mostrar
Enquanto o baseado não chega
Às mão do homem são
Deixe-me fumá-lo até as pontas duplas
Do cabelo crespo
Que a pele áspera do tempo seco
Não suporta mais o hidratante
Nem a água mais gelada do meu choro
Mata a sede da serpente
E rastejando pelo jardim do Éden
Está Adão desejando um beijo
E uma mordida acertada na Eva desordeira
E minha mãe só quer o eterno
Resistindo ao efêmero
Uma vida dedicada à ansiedade
E a viagem novamente adiada
Calado está, calado fica
Quero fugir da cena obscena
E nela caio toda noite
Quiçá, manhãs de carnavais

II
Na infância, víamos o mundo diferente
Tanta inocência
Pra mim, meus pais eram eternos
O riso também
Magia existia, inferno, além
Todo pesadelo, a crença, o medo
Movia uma centena de heróis

Tua luz encobre a chama tão modesta
Eu não sei amar além de mim
E no outro a cobrança rasga a pele
Bem maior do que eu tenho a oferecer
Juntamente à minha ingrata ignorância
Têm ausências, desperdícios de palavras
E o coração está mal decidido
Anuência à moral desconhecida

Eu não sei se quero ser o que se pensa
E o tempo me tem sido opositor
Quero amar além dos pés e da cabeça
Te agradar antes que o sol se destitua
Um conceito não apara as arestas
O silêncio diz mais quando escutado
Enquadrando minha fala tão escassa
Estão sós os meus a quem devo respeito
Minha inclinação leva-me ao crime
E os sonhos vão morrendo um a um
Dividir minha conversa com estranhos
Desperdício de moral abandonada
E empunho a faca cega enferrujada
Pra ferir e deixar dentro a moléstia
Minha pobre opinião sei que não presta
Pra desiludir qualquer forma de engano
Sou mais um que sem o convite à festa
Me instalei para lograr qualquer sorriso
E saí desiludido e apressado
Pois de fato lá só tinha o que me resta
Um lugar longe da luz que esclarece
Ao saíres, deixe acesa aquela lâmpada
Que ilumina o corredor antes da sala
Para quando eu chegar com meu cansaço
Não tropeça em meus próprios desenganos
6 de mai de 2012
Pensa que a vida é uma mentira
Quando o olho vê que o mar se acaba
Sonhos, água, tempo, terra à vista
E o sentimento se naufraga

Perco-me sozinho ou acompanhado

Pois o mar sussurra pelo fleche
Homem ou mulher espezinhados
Quando o peito mudo ainda mexe

Bem devagarinho, não há pressa
Vivo ainda morto em meus preceitos
Que me venha Deus com a promessa
E vou adorando os seus feitos

Penso, logo eu quero existir
Torto está meu sentimento aberto
Vago a noite inteira sem dormir
Meus amigos estão menos perto

A vontade espera, eu não aceito
E tão lentamente eu ouço vozes
Não sei bem ao certo do que feito
Sou - do medo alheio dos ferozes

É a parte estreita do caminho
Que me ofereceram desde cedo
Querem limitar a ação do vinho
Que liberta aos poucos o meu medo

Glória ao pai, ao filho, ao homem santo
Santa é minha mãe que não tem culpa
E no tal pecado, qual um manto
O remorso me vem feito multa

À você que lê o que escrevo
Não há máscara que me revista
Vou então desvendar um segredo
Mesmo triste sou um altruísta

Que já viu o mundo acabado
Na noite a maré cobriu meus sonhos
De manhã espero consternado
Deus há de escutar o que exponho
Lá pelas tantas da madrugada e meu corpo pedia socorro. Não há braços suficiente que insistissem em travar-me o queixo, os dentes quase rotos, tamanho bruxismo.

São umas 02:40. A coberta deixara-se correr em meio aos devaneios malditos ante o corpo. Desciam feito rimas de um poema dramático. Difícil ver o mundo ao teu redor exigindo certas coisas tão irrelevantes. Verdades tão repetidamente ditas que, em meu cego coração, mentiras tornaram-se.
De volta ao corpo. Talvez conto-lhes qualquer peculiaridade. Sei que me faltavam braços. Mãos. Pernas. Pois, Eros amava tanto a Psiquê que lhe ordenara a jamais olhar seu rosto. Onde floresce a soberba se esconde a luxúria - já dizia isso uma pessoa que admirei outrora.
Meus instintos falavam mais que qualquer etimologia. Na mentira, a alma estava inquieta. Ou verdade. A confusão fala mais que qualquer palavra!
Sei que precisava de algo naquele momento. Então levantei-me, fui até a cozinha. Uma bela maçã e um copo de água gelado. Era isso que tanto o meu espírito queria. Um pouco de pecado e pureza. Tudo junto e bem mexido.
Tamanha indecência se julga a sentença que armaram no céu
Não quero estar perto de quando aberto ficar meu porvir
Os corpos se entregam, jamais se relevam ao final do prazer
E minha inquietude, disfarça, ilude, esconde a questão
A voz fica presa, engasga em certezas e na opinião
E quando estou certo, eu vejo de perto escapar-se em minhas mãos
A paga imodesta, sem cheiro, sem festa, sem mágoa ou receio
Igual objeto, tão raro projeto que cria um contexto
Desafia a sina, destina, fascina, engana o irmão
Pra manter-se vivo, se vende, bandido, se entrega ao feroz
E o sol fica longe, na nuvem se esconde do olho que quer
Enxergar o feito, o estrago, perfeito e refaz seu pensar
Na noite não durmo, e frágil consumo da droga incomum
Que faz do amigo, mais que inimigo, o faz refletir
Que na dor se aprende, no pranto se sente a riqueza de ser
Ator do perigo, do choro, do riso, esperamos viver
não há mais fraqueza ou agonia
nem sorrisos ou avarias
que me insinuem caminhos falsos a seguir
nem a maldade ou desespero
nem amizade ou devaneio
que disfarce a amarga língua do opressor
meus instintos se calando, o espírito evitando
deixar-se guiado quando insistem no que já se passou num tempo

tempo em que me cegaram, hoje enxergo a selva
que tramonta todo ocaso
velhos cérebros que conviviam com corações
frágeis memórias de um grande acaso
de uma nova esperança que nos faça conscientes
dividamos com encanto nossa célebre lembrança
fui adão você foi eva
da maçã me foste amiga
da verdade, oprimida
foste hostil à aliança
hoje andas qual serpente
tua boca qual semente
és o choro da criança
que concebeste em pecado
hoje escravo, miserável
apedrejaste a loucura
semeaste a cultura
tão culpada e inocentada
à sua necessidade, uns se matam
outros invadem o terreno que é alheio
se buscar na humanidade um pedaço de igualdade
me dirás o tal segredo
será então que o problema, mais culpado que o tema
é que somos diferentes?
como então a isonomia será nossa majestade
se a corruptibilidade assola todas as escalas?
moralmente ou inutilmente, fomos outrora enganados?
hoje somos mais pequenos, mais distantes, mais o menos
buscando felicidade.
Ao manto escuro, o rosto
Ao pedaço de pão, barriga
Ao teu amor, desgosto
Ao desordeiro, intriga

Ao lenço úmido, assoo

Aos planos fartos, a sina
Ao abandono, um posto
À rua estreita, esquina

Ao meu temor, reforço

Às tuas dores, alento
Ao leito frio, o dorso
Às folhas secas, vento

Para quem peca, a fome

Quem se desespera, o choque
À mulher sozinha, um homem
Para eu me vingar, o porte

Pra juntarmo-nos, a cola

Descobrirmo-nos, verdade
Contra todos, a demora
Aos mais velhos, mocidade

Na saúde, a doença

Ao enlace, juramento
À necessidade, crença
À maldade, esquecimento

Para a dor no peito, a droga

Ao espírito, fumaça
Ao passado, o agora
Ao distanciamento, a graça

Ao que escrevo, coesão

À quem lê, a paciência
Aos amigos, a missão
À família, consciência

Ao limite, pensamento

Ao cigarro, o abandono
À magia, encantamento
À desilusão, o sonho
4 de mai de 2012
Minha rotina se alterou
estou à beira do colapso
Transformarei a água em vinho
Fechando fitas com um laço
A pequenez é assistida
Pelos vilões, fieis sistemas
A Babilônia está em chamas
Embaralhando meus fonemas
No corpo ínguas denunciam
Que o espírito está fraco
E as mazelas vêm à tona
E vou fumá-las todo o maço
Pra desistir de ser tão simples
Minha natureza não é gigante
Meus pés impávidos e atrevidos
Pra gargalhar quando choramos
E perceber que na rotina
Toda mudança é puro encanto

O meu cigarro veio a cabo
A minha solidão também
Nem mesmo deus, será o diabo

Enquanto vou sem um vintém
Espero enfim a companhia
Sem asco algum me advém

Em raros fins de agonia
O encontro que desvelaria
O apelo oculto em fantasia

E o feitiço encantaria
O meu desvelo maternal
Eu quero a paz, desejo a graça
Não há maldade e nem fumaça
Que determine o meu final



1 de mai de 2012
Gira o mundo ao contrário
E hoje, já não sou eu mesmo
Ai se eu pudesse transportar-me
Ao corpo lá jogado à ermo

Os corações batendo estranho
A mocidade está perdida
Fadada ao encantamento
Onde a mentira é vã amiga

E pelos mares e encostas
Nos horizontes do meu ser
Onde a escolha é o limite
Aceito o mero merecer

Me ofereceram um banquete
E para ti deram um pedaço
E para nós restou ainda
Ao cego nó, mudá-lo em laço





Seguidores

Acessos

Marcio Lima. Tecnologia do Blogger.

+ Vistos:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Quem escreve...:

Minha foto

Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

Teça seu comentário!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Concursos