30 de nov de 2012
E quando os sentidos vão se acostumando à vaidade
Não se vê mais vulgaridade no que se tornara comum
Outrora,
Os amores se vendiam aos sonhos
Não se comprava como se faz hoje por um bocado de fama
Os olhares se cruzavam antigamente feito teia
Hoje, a objetividade deixa o gesto mais híbrido
Qualquer dor, basta-lhe um comprimido
Que a alegria retorna-lhe feito pássaro, novo desconhecido
Companheiro de meus sonhos
E pesadelos
Rios de cigarros em meu peito
Deixam-me menos aflito
O coração teima em seu ritmo
Não deixar o homem refém de si mesmo

- Esconda o espelho!

Lá me vejo só pela metade
Fragmento de verdade
Denuncia o meu crime e devaneio
E quem eu tanto esperava, não veio
Que à mesa sentou vontade e decisão,
Sabor, persuasão,
E uma pitada de anseio
Jurei não guardar qualquer segredo
Que se esconda de tua face

Vamos logo arrumar o tempo
Que os fatos andam confusos em minha mente
Desconheço a maldade da bebida
Quanto doce for, maior a alegria
A coragem vem como enxurrada
Basta um gole pra topar qualquer parada
Determina o que a verdade escondia
Hoje, por qualquer ironia
As migalhas de amor se dissipam
Pelo espaço, pelo mato, pelas vias
Para dar melhor sentido à agonia
E o canto encontrar quem lhe escute
O medo é maior que a fome
Largo mão dos meus segredos
Pra te dar felicidade

Onde houver quem pague o preço 
Que me valha uma gota só de sangue
As alegrias terão o justo valor
Talvez eu possa vender alguns sonhos
Venha, qualquer real vale um 
E fantasias feito vento, viram arte
E por onde se veja em qualquer parte
Se encontra um trecho de ilusão
De desgosto ou superstição
Agouro que finda o princípio
Decepa o prepúcio
E dilacera o coração


28 de nov de 2012
Acordei tão tarde
Que passou a hora do café
E os meus sonhos,
Onde foram parar?
E minhas meias,
Onde foram parar?
Não sei entender a esperança

Ao levantar da minha cama
Ela sumiu

Ontem foi um dia curto
A ansiedade
Tomou conta de mim

A noite pareceu tão lenta

Uma dose de lembrança
Faz esquecer

E pelos cantos da casa
Procurei
Um pedaço de quem pudesse me ouvir...



26 de nov de 2012
Deixa de conta
E refaça tuas pontas
à medida do cabelo
Sem disfarce

Dê de si o que não sobra
Reparte o que demora
A solidão

Deixa livre o que detestas
Quero preso o que mereça
Emoção

Paraíso na cidade
Onde caiba a verdade
E o amor

Quero mais merecimento
Quero mais que um momento
De prazer

Deixa solto os cabelos
Várias pontas entre os dedos
Escorrer

Me engasguei com a fumaça dos sonhos
E o símbolo do infinito apareceu em meu espelho

Pega! Pega!

Que a mão restou confusa com os dedos
Pela pele, noutro lado do cabelo

Arrastavas feito o sol que leva um dia
Penetravas onde só tu ousarias

E cada dia fica mais longo
Que os tambores custam em calar
E os corpos se encaixam feito prumo
Voo pelo céu que não possuo
Julgam pois, o que presta ou não presta
Haverá um defensor que indique o rumo
Que me leve ao encontro da promessa?


Não me tenhas tão de perto
Posso até te machucar
Meu direito se embriaga
Tenho sede de palavra

Nos pés,
A insistência dos passos

No gesto,
A incerteza do abraço

Me queira distante
Próximos não somos os mesmos
Distantes do desejo

E sigo em direção contrária
Prendo a vontade internamente
Pra fazer do meu cotidiano
Menos demente

É que na loucura do encontro
Dividimos nossas mazelas
Que já são poucas

Somos solistas de um mesmo canto
Passistas numa eterna dança

E sigo na direção oposta
Pra ver quem se importa
Sentir quem se gosta
E desmerecer meu sofrimento 


É o medo
É o medo, sim
É o medo
Que não deixa eu ver

Mas como vencer
Será que é simplesmente ter
Um pedaço de pão
Ou um castelo de areia fincado no chão?

Decifrar o homem
Entender o humano

Vença o seu medo
Fuja do engano

É o medo
É o medo em mim
É o medo
Que não deixa eu ver

Mas como vencer
Será que é simplesmente ter
Um pedaço de pão
Ou um castelo de areia fincado no chão?

25 de nov de 2012
Desmantela da cabeça essa mania
Esse desejo ruim
De se dar pelas metades, mal começa
Logo chega ao fim
Já te disse - pago o preço - não tem jeito, 
Vamos ter que acertar
Não existe um valor que lhe mereça
Quanto custa, amar?
Pelas minhas contas falta mais um pouco
De admiração
Falta ainda outra metade escondida
Dentro do teu coração

O que tenho pra te dar é muito pouco
Tendo em vista a emoção
Falta a fala, perco o riso, fico louco
Me divide a razão
Teu amor, tua vontade repartida
Deixam claro a fração
Eu só quero uma parcela indivisiva
Dentro do teu coração
Sem disfarce
Tua pele nua em pelo
Sem disfarce
Teu perfume, o teu cheiro
Sem disfarce
Tuas mãos em meu cabelo
Sem disfarce
Eu preciso do teu beijo
Sem disfarce
Te sentindo por inteiro
Sem disfarce

Sem disfarce
Quero beleza e arte
Sem disfarce
Um sorriso em tua face
Sem disfarce
E buscar nossa verdade
Sem disfarce
Quero tudo sem metades
Sem disfarce
Mais amor e liberdade
Sem disfarce
Deixa quem quiser que fale
Sem disfarce
Amanheci em minha apatia
Doses de cigarro e tragos de café
Deixam as fumaças confusas
Na mente

Invente,
Outra forma de amar

Transmita,
Só o que de bom se reflita
Na pele, cabeça e coração

Quem me acordou foi o cachorro
De manhã cedo já lhe é dia
Modificando a fantasia

Quem não resistiu foi a minha farsa
E o riso não perdeu a graça
Por um bocado de mordida




22 de nov de 2012
Lá fora a escuridão
Ilumina a canção
Inspirada na Lua...

Por onde andam os sonhos
Percorro a via onde outrora
Teus passos deixaram pegadas

E dos cachos escorre um mel tão doce
Ameniza meu amargo
Adocica teu perfume
Me envolve em teus braços

E quem sabe, o beijo
Ficará em segredo
Ou quem sabe, na amizade

Já não há quem inteiro
Se divida ao meio
Quero a reciprocidade

Quer da pele, o cheiro
Da incerteza, o beijo,
Da tristeza, felicidade






Virá do céu
A decisão na luta?
Me decifrar
Mudar minha conduta?

Vou declarar
A indignação
Pra derrubar
A velha construção
Amolecer
O duro coração
Reconhecer
No outro um irmão
Andar com fé
Razão e esperança
Não desistir
Da luta, da mudança

E resgatar
O humano
Da escravidão
do homem
E desatar
da mente
A culpa
O abandono 
Barreira, mal,
mentira,
E não perder 
o sonho

Seguir em frente...

Venha com arte
E com educação
Mas com verdade
Sem discriminação
Traga concórdia
Mais luz, mais união
Traga certeza
Na indeterminação
Mais da pureza
Menos da ambição
À natureza
Nossa integração

E resgatar
O humano
Da escravidão
do homem
E desatar
da mente
Toda forma 
de engano
Barreira, mal,
mentira,
E não perder 
o sonho

Seguir em frente...




Talvez seja pouco
E o que tenho a dar é quase nada
E logo a alma se acalma
A relva murcha à ação de um sol ardendo em laranja
Refaçamos a plantação que a messe se aproxima
E os versos não tardam muito 

Antes do último ocaso

Os homens se reconhecerão uma só natureza
Se encontrarão pela aurora
Aqueles que se amam
Com os que se tornaram hostis de um destino comum
Afinal,
O que lhes prenderia à terra,
Se o tempo inteiro voava o homem com suas asas
Feitas de lama, água e vento?

Eis que o nó do umbigo parece que se desatou...

- Por onde foi o homem? - Disse a mãe apreensiva.
- Onde se escondeu? - Indagou o andarilho.
- Nas cavernas ao sul. - Sussurrou o velho ao lado.

Sei que para lá foi deus meio que em desespero destruindo tudo à sua frente. E não demorou muito em chegar...






21 de nov de 2012
E balançavam-se feito criança
Aqueles galhos em verde bonança

Essa tua insistência
Acalma a vontade
Ilude o desejo
Engana a verdade

Não me tenhas tão tolo
Que desabo em detalhes
Me escondo no jogo
E defendo metades

Não acenda essa chama
Que o fogo é raro
Abandono o destino
Caio em desatino
Me confunde a loucura
E me cansa o trabalho




Em milhares
Em migalhas
Nos altares
Nas garrafas
Meio gole
De seus cacos
Espalhados
No banheiro
Meio copo
De cachaça
Meia taça
De loucura
No blecaute
Tem desejo
Medo
Dedo
Em sua testa
Apontado
O sentido
A saída
Dessa festa
Luzes negras
Refletindo
Vazam nuas
pelo blindex...

blindex...

Transparente feito espelho
pelo blindex...

Me enganas por inteiro
pelo blindex...

Teu perfume não tem cheiro
pelo blindex...

Te afogas em meu seio
pelo blindex...

Quem se mostrará primeiro?
pelo blindex...

blindex...


Queira incluir
Em teu elenco a paz

Que tudo se refaz

Eu jurei te entender
Mas era tarde demais
O que irá renascer
De nós?

Danem-se os meus cabelos brancos
Que eles descubram o caminho
Quem se achar além do engano
Que transforme sua água em vinho
E volte a sorrir
E descarte a dor
Sem desmerecer
O que conquistou
Valha-me deus!
Dá-me teu amor!



20 de nov de 2012
Hoje você não quis entender
Eu tampouco, explicar
Acabou a droga outra vez
Faltou o desejo fugaz

E a noite vem
Um dia a mais
E te vejo bem
De frente, atrás

Tem mais desejo que vontade
Tem devaneio e saudade
O tempo não lhe foi amigo
E se calou ao próprio umbigo

Falta memória
Em nossa história
Terei motivos pra me arrepender?

O nó está a ponto de se desatar
Não tenho palavras para segurar
O desperdício em meu coração
Você detesta admitir
Provou que é alguém ruim
Eu insistia
Me iludia
Você deixou de ser motivo para mim

E a noite vem
Um dia a mais
E te vejo bem
De frente, atrás

"Enquanto a claridade me faz ver o óbvio, a escuridão aflora a minha imaginação"

"Para escurecer fecho meus olhos. Clarear, acendo a luz da ideia"

"Se o claro fosse o escuro ou o contrário, a prioridade do sono seria a insônia"

"E quando o sol resolve se vestir de lua..."

"Alma branca em pele preta soa contraditório"

"Acima de qualquer cor, reine a diversidade"

"Explicaria a genética, o caráter? - Sim. Respondeu-me cético, o professor"

"A verdadeira claridade está na imaginação de um cego"

"Quem vê além de si mesmo, julga menos"

"O que os olhos veem quando choram?"


Alma cinza
Pele preta
Onde andará deus ou o demo?

Tem açoite

Tem chicote
Sobre o corpo o jugo do tormento

Hoje escravos

Ora livres
Presos estão os pés que embalam o passo

Hoje livres

Ora escravos
Escondeu-se em marcas, o passado

À verdade

Ergo o canto
Entender o que fomos outrora

Sem o medo

Sem o pano
Rasgue-se o véu que esconde a história




Creio em tuas palavras
Dez mil motivos me são suficientes...

Entre o ocaso e a aurora
O meu corpo se enamora
Do teu jeito em se encostar

Se não merecia ontem
Não me importo do que contem
Por você me perdoar

Toda espera é perfeita
A malícia é direita
Feito chama a arder

É que tenho a mania
Feito escravo da ironia
O teu muro irromper

Os instintos se despedem
Dos que matam, dos que ferem
O desejo de amar

Não importa se vem antes
Depois, mesmo até durante
Um ao outro, se entregar 



As putas merecem morrer
Assim como os meus sonhos?

Quando elas ficam cegas
Eu também fico

De onde elas vem
Lá permaneço

Não tem nenhum valor, nenhum apreço
Que me segure em minhas amarras

Quem dá a qualquer um sua mortalha
Sugere a empatia do desgosto

E quem há de julgar, gosto ou não gosto
Carrega as cicatrizes da navalha




O humano demasia
De sua própria tolice
Sei quando não se ama
Sei quando não se quer
E quando eu me perco
Ouço dentro a voz do vento

Siga a seta

E que dure enquanto segue
Siga a rima do momento
Seco, sério, sentimento

Siga a seta

De meu sonho tortuoso
De minha ansiedade
Do meu muito, tempo pouco 

Siga a seta

Que não te engane o mundo

Siga a seta

Que a mágoa vira água
E escorre pelos dedos

Siga a seta
Curva reta de meu mundo
Curva reta



18 de nov de 2012
A messe se estende além do horizonte
Tenho poucos amigos
Muita emoção guardada

Vamos deixar de lado o que não ilumina mais
E reconquistar o que de nós se una

Ressuscitam quem em vida
Apagou o tênue feixe
De luz, que juntou o sol à lua
A minha pele à tua
O meu passado ao teu futuro
A água mole engana o furo
E o coração retém-se duro

A messe se estende além do riso
E o coração não se padece

Doses de ti
Me fazem a festa
Te quero aqui dentro
E juntar

A ponta do dedo
Ao centro da testa

Batidas ao peito
Divagando a pressa

Doses de ti
Feito soluço
Me desperta
De um sonho cinza e amarelo
Oásis em meio ao deserto

Ilícita miragem
Faça-me dormir novamente
Quero dormir novamente

Ilícita miragem
Feito homem bom que mata
Feito jogo sujo que ganho
Fumaça que não disponho
A nuvem foge do sonho
Ilícita


Quero provar do bem que tanto falam
Me resguardar ante qualquer juízo
Virá o pai com generosidade
Dar ao seu filho uma forma de abrigo?

Acreditei e fui surpreendido
Por uma série de acontecimentos
Por ser o que julguei, melhor seria
Na mão alheia, refém à revelia?

Arrepender-se e não abrir a boca
Um homem novo em morais antigas
Se para amar existe uma receita
Experimentarei enquanto eu viva?

PRÓLOGO

Das alturas de Profundeza - cidade de grande beleza e desgraça, ao sul do Condado de Sombras, terra de grande fartura de bens e recursos - morava de um lado do rio um senhor, que de tão velho, apelidaram-no de Antiquus. Na outra margem, Gratia, esperava aflita o barco para ter com o velho senhor, o encontro tão esperado. 

Gratia era filha de um grande proprietário de terras nas regiões acima dos antigos muros, ao extremo norte da cidade. Seu pai, Ambício, foi nos tempos áureos do antigo regime de Sombras, grande político e orador comparado por muitos, até mesmo com o profeta Sisas. Mas, a sorte não lhe fora sempre aliada. Na festa da coroação do último patriarca de Sombras, Domínio VIII, foi banido para além dos muros pelo próprio profeta num tempo onde deus e homem ainda caminhavam juntos. Sua deportação causou espanto para muitos moradores. A máxima corte, não ousou fugir às ordens do profeta. Sisas não admitia a traição de nenhum de seus comparsas. Normalmente, aqueles que o contrariavam, eram sumariamente julgados. E, desde então, Ambício perdeu qualquer direito civil e religioso em qualquer cidade  dentro do Condado de Sombras. Sisis era o único que sabia exatamente o dia do Julgamento dos filhos da promessa. E desde aquela festa, regrada a muito vinho e palavras, que feito agouro, Ambício se envolveu em seu maior pesadelo.


DA FESTA


Eis que uma semana antes da festa, na noite em que a Lua de Felimpo completara seu quadragésimo ciclo depois do último eclipse solar, chegou em meu sonho o convite da boca mesma de Dominio: "Ambicio, caros homens e mulheres, cavaleiros, mercenários, povo de Sombras. Pelas mãos de Felimpo e pela boca de Sisis, serei conclamado o oitavo dessa dinastia a vos servir enquanto Patriarca. Que reine a verdade!"

Acordei em meu próprio sonho e me vi de lá dormindo. Era a realidade se refletindo no espelho da minha fantasia. Uma voz me chamava: Ambício! Ambício! Não sabia distinguir o limite do sonho, donde aquela doce voz me clamava. A direita de meu leito, via a cidade de Núvia, onde nasceram meus pais, e por onde passei a maior parte de minha vida. Meu pai, Diocles, estava amarrando o seu cavalo junto ao celeiro próximo ao Jardim do Desencanto. Levava consigo a filha do tempo, neta do filho que ainda não  lhe nascera. Minha mãe, Antúria, dormia ao lado do Poço dos Pedidos, sua mãe, a parteira Lia, tinha forma de lua e de sua boca saia meu nome.

Do outro lado de meu leito, estava Lena, grávida de nossa terceira filha, Kríades, oferecida ao demônio Victor, príncipe que vive submerso nas águas do Rio das Insanidades. Mas, o que me deixou aflito, foi que entre minha mãe e minha avó, um fogo de cores negras fluía em direção à cidade de Profundeza, inundando-a.

(...)
Pedras pelo caminho
Sinal de apreço
Ter dedos onde me faltam mãos
Ou pés, quando não acompanho o passo

Tenho que sair de mim para ser eu mesmo
Me sucumbir em morais do passado

O respeito,
Fica ao lado de minhas aspirações
Do lado de lá da cama

Já não aguento mais a pressa
Se a dor é o que se empresta
Venha ser meu drama


Arrasto-me no chão morno
Reato-me com meus deuses
Que se pavimentam de morais desconhecidas

Possessão de bondade
Castração de ignorância
Poda inconsciente

Os demônios seguem mentindo
Igual a mim quando me faltam defesas

O prazer é fonte de vida
As descobertas ficam escondidas
Para não desapontar os homens de bem

Estou purgando na presença das sombras
E o chão morno atrai as entidades internas
Coração se une ao pavimento
Pra entender novas mentiras
E abortar antigas verdades
Onde ando com fome - a palavra
Onde não tenho fala - a miséria
Se me faltam amigos - falta calma
Se verdades são ditas - a fé me toma

Deus virá lá de baixo
Mora ele aqui perto?
Ou será aqui ao lado
Onde mora o feto?

Se detenho o fonema - som divino
Quando falta-me algo - tenho nada
Só o que me reservo - a escrever
Não importa o valor - e tenho dito
Nem lugar onde more - o bendito

Deus virá lá do alto
Equidistante
Falta-me um bocado de juízo
As distâncias pertencem ao imaginário
Corro, ando e não saio do meu quarto
Um, dois, três
passos
rumo dentro
onde paira a essência
e se manifesta a mudança

O coração feito ilha
cercado de sortes
bate insistente
rumo ao norte
onde mora o sonho
onde dorme a morte

Meus pés
caminham sobre o músculo
igual peixe na água
pássaro no ar

Passos que não meço
para não me surpreender

Linhas sem um verso
mania, desejo ou querer

Corro sobre o músculo
e tropeço em suas batidas
nem mesmo ao forte é concedida
a medida
dos passos

15 de nov de 2012
"E não deixe a lua sozinha esta noite. Enquanto o sol dorme do outro lado do mundo, não me deixe aqui com meus desejos."

"Me cerco de verdades quando quero esconder-me de uma delas"

"Onde reina a sombra, a claridade é criadora"

"Não há pecado que me deixe passar fome"

"Ando com fé quando a dúvida insiste em deixar-me parado"




Se o amor é verdadeiro, me engano
Sou do contra, sou profano
Quando o santo bate à porta

Não me venha com dizeres
Com feitiços, com prazeres
Que não me dou muito bem 
Com quem pensa bem de mim

Beber até ficar tonto 
Ousar, ir direto ao ponto
Quero ver amor verdadeiro
Ser maior que desejo
Na pele

Do suor ao fogo
Quente-frio, morno
Bora deixar os enganos
Driblarem o pano
Escuro que esconde
Na face, os olhos
Feito sonho 
Reza ou gozo
Depois, a verdade aparece
A mentira se arruma disposta
Vai embora
E não há quem a desampare
Nesse mundo de glórias

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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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