27 de mar de 2013
Um ao outro, vamos nos tocar
Possam mãos e corpo se encontrar

Tropecei nas pedras que joguei
Arrisquei para me arrepender
Ai de mim, 
E quem há de ouvir-me?

Que se dane a métrica do verso
E que me perdoe a poesia
Vida, assuma o caos da fantasia
Faça o que é errado virar certo

Antes que o cigarro se se acabe 
Logo, outro à mão se adianta
Guardo o grito preso na garganta
Para amanhã, talvez, quem sabe...








Um beijo de lua
Um saco de areia
Uma pele nua
Um pé, uma meia

Nos traços sem forma
Nas mãos, o abandono
Coração sem norma
Desejo sem dono

Deixou meu presente
Um tempo atrasado
Um meio contente
Um terço agitado

Unamos as pontas
Refaçam os laços
Afinal de contas
O que desaponta
Um coração fraco?

E quando eu fecho
Meus olhos pro mundo
Ficam entreabertos
Eu não acho certo
Sentimento inverso
Tão raso e profundo
22 de mar de 2013
O sol se escondeu debaixo do meu travesseiro
Temia que as estrelas tomassem o seu posto
Mas, em razão da culpa
Quem decidiu a sua sorte
Logo ergueu-se atrás do monte
E o dia sucumbiu ao norte
Levando o sol no horizonte
Foi se encontrar com o Ocaso
O guardião da noite escura
Que enciumado da Aurora
Mesmo depressa, sem demora
Ao sol lhe desejou ternura


Deixa de mão essa utopia
De amar e ser amado
Quanto mais me vejo dentro
Mais pra fora é que me abro
Eu me perco,
Em minhas próprias armadilhas
E enganos,
Sobreviver é fantasia
Se te amo,
É que transmito o que sinto
Os meus planos,
Minhas tristezas e alegrias
Eu me perco
No mundo, ilusão à toa
Se te amo,
É a verdade que se doa
Se revela

19 de mar de 2013

Você me pede um café
E eu insisto em dormir
Quando te sobra a fé
Eu penso em desistir
Não dá,
Pra consolar quem só deseja apoio
Tem muito trigo invadindo meu joio
Te dar a mão pra me desequilibrar
Contradição nesse teu jeito vulgar
Vulgar,
E o coração nunca desiste do jogo
E se perder ainda arranja um troco
A salvação virá de outro lugar
Só vejo mãos querendo me arrancar

Você me fala de paz
E eu só penso em fugir
É pouco, menos, é mais
O que interessa é agir
Que não,
Palavras não valem caladas na folha
Mesmo que não ditas, algo lhes discorra
Faça uma proposta que nos leve ao céu
Segure meu manto, arranque seu véu
Então,
Vamos nos embriagar desses fonemas
Deixa a mania de criar dilemas
Vale mais a pena quebrar os tabus
Baixe a guarda ao peito e crave tua cruz
A mente quer desatinar
Seguir o coração
A vida quer nos separar
No jogo da paixão
Impeço feito cálculos renais
Acorrentei os laços ancestrais
De mão em mão estava ali
Desertando da paz
Meu coração, eu vou seguir
Ao teu prazer, jamais
A chama da paixão quer me matar
Meu coração vou desarticular
Não duvidei do seu amor
Nem lhe pedi perdão
Seja pesado, o quanto for
Não traia o coração
Não vou dizer que tudo está certo
Um dia a mãe se livra do seu feto
A poesia é desigual
Esconde a imperfeição
O bem pra mim te faz um mal
Te deixo essa canção
A chama da paixão quer me matar
Meu coração vou desarticular
Outro passo para o abismo
Rumo à eternidade
Quanto mais eu chego perto
Longe fico da verdade
Aos poucos um fio 
Envolve o meu corpo
E feito um casulo
Fica o coração
Então eu me lembro
E deixo a saudade nua
Me distancio de mim
Para ver se me encontro
Fecho os meus olhos
E ali não me vejo
Grita o silêncio
Se esquiva o desejo
E tento, e tento
De fora ver o dentro 
E o dentro se vai
No imaginário
É onde se escondeu
O sentido de viver
No imaginário
Lá existe deus
E desisto de viver




17 de mar de 2013
Calçarei meus pés em teus sapatos
Sentirás o que sente o abraço
Calcanhar disfarça o seu medo
Tenta enxergar à frente os dedos
Se não lhe couber, acho um jeito
Folgado ficar, lá eu me deito
Apertai com força o cadarço
Será tua a métrica dos passos
Se o caminho ora ficar turvo
Lembrai do que levas no coturno

Fortaleça o laço
Cole cada pedaço
Que restou da chama
Remenda teu rosto
Reaja disposto
Disfarça teu drama
Os amores se vão
Entre os dedos da mão
E o coração se inquieta
Dê um tempo à emoção
Deixe que a intuição
Se divirta nessa festa
Egos traem todo o tempo
Quem não tem discernimento
Se entrega aos caprichos
Vaidades vão com o vento
Quero paz em meu tormento
Mais virtude, menos vício
A tua sentença
Chega 
Toma 
Ilude
A minha presença
Um gesto se achega
Rasga
Aponta
Invade
A tua indiferença
Já que o preconceito
Naturalizado - Humano
Esconde-se sob o pano
De meias verdades
Feito contingência
Ergue
Sobra
Falta
Abrir tua cabeça
Desarranjar o riso
Feio
Falso
Amigo
E o que nos interessa
Deixar de lado a pressa
Ir de encontro ao homem
Não levantar o nome
De deus ou o diabo
Para levar a cabo
O que nos interessa


Não vou financiar meu desatino
Nem te acusarei pela ausência
Faltou um pouco só de paciência
Agora quem te falta tem-lhe dito
Pleonasmo vale mais que eufemismo
Entrar adentro a fé que une corpos
Sair afora ao chão de meu teísmo
Não entregar a vida pelos mortos

Por que a linha torta não se endireita?
A porta deve mesmo ser estreita?
Tropecei
Num punhado de espinhos
Que jogaste na via
Da paixão
Lá cravaste um punhal 
No meu interior
Males sem um pudor 
Ou consideração
Me roubaste o sorriso
E a emoção
Dediquei mais um tempo
À minha dor
Pra te ver feito sombra
Feito engodo ou lombra
De um tempo que passa
Que é raro
Hoje cada espinho
Se foi como o vinho
De outrora
De uma velha esfera
Que desprendeu-se de mim
Desatei cada nó
Feito um raio de vento
Magia, esquecimento
Pra me ter melhor



11 de mar de 2013
Tanto se fala de outras coisas
Tanta fumaça por um líder
Meu ocidente se orienta
Eu me recolho em meu juízo
Pra poder falar
Em nome de deus
Pra me redimir
Em nome da paz
E tanta graça em meu choro
Suores nos pelos do corpo
Quem há de calar essa fome
Possa levar o que me sobra
Condicionado está o homem
Se precisar, abra-me a porta
Pra poder falar
Em nome de deus
Pra me redimir
Em nome da paz

"Haverá maior angústia que sofrer em silêncio?"

"Melhor o louco,  que desmonta a armadilha do sofrer"

"Se precisar ser falso, finja ser você mesmo"

"A droga é uma ponte onde a consciência vem e vai"

"Juro que talvez eu me arrependa depois"

"Quem já se arrependeu de algo que fez, conhece o que é o perdão"

"O que fazer quando não dá mais para dividir: entregue."

"Tá, já me desculpei! O que tenho que reconhecer?"

"Mesmo sem querer, acabo olhando para trás"

A ideia de um deus
Deixou na intuição
Uma interrogação
Calada

Quem inventou a fé
Esqueceu de deixar
Ao homem a intenção
Primeira

Mesmo ao me render
Ou quando vou tentar
Tenho que superar
O espelho


Que diz: você é mal
Se bom lhe estiver
Não cabe ao coração
Desejos

O amor se entregou
Por quem não lhe amou
Razões ficam no ar
Nos medos
7 de mar de 2013

Chega de tristeza
Que a riqueza
É a que vem do interior
Ser feliz não basta
Quero cachaça
Não ser punido
Por seu amor
Dentro do meu peito
Não há defeitos
Que não mereçam o teu perdão
A felicidade
Só ela sabe
Quanto lhe cabe no coração
Mas, se ela restar
Deixa ficar
Nas entrelinhas
Dentro do bolso
Basta ao tesouro o seu brilho ofuscar
Que a vaidade elogiar o teu pescoço
5 de mar de 2013

Menti,
Pra não te ver chorar
E quando o sonho virar realidade
Reviro no peito a dor da saudade

Trouxe pra ti o desejo escondido de um casto
Para ganhar um tempinho a mais em teu colo
Te desenhar, tatuar teu sorriso em meu braço
Tua será minha mão e meus serão teus olhos
Vou declamar esse verso em troca do beijo
Assumir o nosso encontro fiel e hospedeiro
Quando pesar essa cruz a favor da verdade
Os corpos já se entregaram à luz da vaidade

Menti,
Pra não te ver chorar
E quando o sonho virar realidade
Reviro no peito a dor da saudade
Não vou correr o risco
Para me adaptar
Abrir a mão do sonho
Para descansar
Abotoar o corpo
A mente, o gosto
Umbigo, o rosto
A emoção desvencilhar

Partir ao interior
E lá vou encontrar
O que sobrou, restou,
Embaralhou o meu prazer

Labuta, rechaço, 
Carteira de trabalho
Um blefe, proposta,
Aposta de baralho

Só entro se posso sair
Depois
A graça divina divide
O meu presságio
Abotoa o corpo e esconde
Dentro do armário
Se é noite ou dia
Eu não sei responder
A tua companhia
Cortou minha energia
Os pulsos, a maternidade
Viva Maria!
Escadas, descidas
Força para subir

A saga desvia 
O meu tempero
Na vaga lembrança
Um desespero
E quem me conhece
Não me reconheceu

Amores para dar
Não sabem à quem
Merecer
E volto a me trancar
Procuro o rumo
Do meu ser

Vidas serão a mais
Se menos de mim
Se entregar
Com todos os meus ais
Adiantados sob mim
Meu cantar
Emudecer
Silenciar
O meu prazer



 

Palavras de amor sobre a mesa
É o pão
Dividir o que não tem mais jeito
Aqui dentro
E sinto uma dor calada insistir
Quando o desejo resolve sair

Me desajunto e me comprimo
Pra caber
Fico ensaiando um sorriso
Disfarço um olhar tranquilo
Pra voltar a viver

Silêncio na rua escura
De ventos
A brisa e a lua minguando,
Acalentos
Cabeça não sabe o rumo
Da paixão
Desistir me parece a primeira
Opção

E quando entra em um beco escuro
Esquina ou num canto qualquer
O que fará o coração de uma mulher?
Onde andará aquela aurora
Que acordou meu arvoredo
Deixou vazia sua memória
Levando-lhe rumo ao medo

Meu arvoredo era puro encanto
Era de fumaça, era de vento
Desafiava a ação do tempo
Se enveredava pelo verde campo

Num fim de noite chegada a hora
Naquele instante ao raiar do dia
Lhe acordou a vida lá de fora
E se entregou feito uma vadia

Meu arvoredo nunca teve um dono
A sua estrela é um meteorito
Que deixa sem palavras o abandono
Deixa de história pra virar um mito
2 de mar de 2013

Da-me a tua mão
Que te empresto os meus dedos
Faça-me sorrir
E teus serão os meus segredos
Deixe de lá a antiga chama
Que tenho fogo em meus suores
À quem amar? - À quem te ama!
Já me perdi noutros piores
E desistir não faz sentido
Desvirtuando meu juízo
Estou a postos!

Em corações de pedra 
O sangue corre solto
E por menos que louco
Ela no corpo-a-corpo
Aos poucos, se entrega
Pisca
Teu reflexo no espelho
Pisca
Luzes sob o teu cabelo
Pisca
Uma estrela no universo
Pisca
O recôncavo e o convexo
Pisca
A pestana, a sobrancelha
Pisca
Feito as asas da abelha
Pisca
Tua língua em meu mamilo
Pisca
Qual cantiga de um grilo
Pisca
Invadindo os meus ais
Pisca
Deixa tudo para trás
Pisca
Para frente é que se anda
Pisca
Na Suécia ou em Ruanda
Pisca
Preso ou em liberdade
Pisca
Busque a felicidade
Pisca
Lamparina no deserto
Pisca
A verdade em meu verso


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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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