Exatamente igual à sua imagem
De saia justa esconde-se à margem
E vários reviraram tua conduta
E remexeram igual corpo de puta
Aquém do dia
Resguarda-se 
Clarão da noite
Entrega-se 

Que fica um rastro
De esquema ou confusão
Desembaraço
Até se abrir o chão
O seu espaço
O vento invadiu
Varreu o laço
Que a vida iludiu
Suas certezas
Viraram indecisão
Menor beleza
Pureza, discrição



No lugar da discórdia, a tolerância
Ao invés da tristeza, a decisão
O teu sim ao amor, não à ganância
Faça o bem e não traia o coração

Tenho pouco e não me falta nada
Migalhas espalhadas pelo chão
A palavra é a força da espada
Em seus gumes a fé é aceitação

À moral cabe mais desconfiança
Onde falta a vontade, mais ação
Não reprima o desejo, a esperança
Liberdade ao deus da religião

Vou fazer a vontade que é alheia
Pra sentir-me aceito como irmão
Feito droga que ilude, estonteia
Na verdade, quem divide o pão?

Não entendo o incompreensível
E mereço bem mais que a redenção
Cada escolha humana, perecível
Liberdade à cabeça e ao coração
25 de jun de 2013
Vou conquistar
O que for meu
Multiplicar
O que for bom

Que o grito escondido na garganta encontre seu tom
Mocidade e velhice se misturem juntos nessa voz
O meu povo mais unido, brasileiramente mundial

De norte a sul
Do meu país
Se ouviu cantar
Uma canção

Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, colossal
Iluminado ao sol do novo mundo, idolatrado, és mãe gentil
Nem teme, quem te adora, a própria morte, ó pátria amada, meu Brasil






Deixei entrar
O inesperado tom
Azul anil
Pra retocar o céu
E deus sorriu
Da minha imprecisão
A ideia deu razão
Ao colorido blue
Pra animar meu coração
Que tava escuro, nu
A cabeça virou papel
Você olhou pra mim
E perguntou pelo anel
De compromisso
Eu disse que emprestei a deus
Que me ajudou nisso
Foi desenhar no céu o sol
Depois a lua 
Pra desatar o homem do nó
De suas crenças vis
E recriar um novo céu
E recriar um novo céu




23 de jun de 2013
Para a exclusão, espelhos
E revolução, joelhos
Deixa o coração se aliar à liberdade
A razão se guie pelas asas da verdade
Para a posição, certeza
Mais educação, beleza
Deixa essa mania de não ver além do umbigo
A moral se enquadra à medida do perigo
Para a solidão, o outro
À concepção, o coito
Me disseram um dia que o eterno é para sempre
Não há quem me doe o que só a mim pertence
O meu canto, para a reza
À tua saudade, espera
Quando te procuro eu encontro-me comigo
Divido com o mundo o teto, o feto, o meu abrigo
Fico ao lado de tua indecência
E rastejando, fico ao teu lado
No breu apago a incandescência
E sutilmente acendo o apagado

No corpo a corpo deixo a ideia
Materializam-se as tais fantasias
E me escondo dentro do abraço
No bolso um cigarro só no maço
Na alma um bocado de magia

Querendo bem eu imagino o mal
Um sentimento de proximidade
Que distancia a força da verdade
E às metades fica o desejo
Que invalida o meu desespero
O que de medo tem na vaidade?
Em tua cabeça, invado
Em teu abraço, me caibo
Me espremo, contraio
Reprimo
O tom grave do teu não 
Famigerado coração
Que não dá tempo
De alcançar teu pensamento
Que do meu céu ao firmamento
Passeia
Feito o mar em frente à areia
Para ser mais, me diminuo
E fico grande
Do tamanho da tua fome
Eu nem sei qual é o nome
Da estatura
Que emoldura teu status
Só sei que quanto mais me aproximo
De ti, eu me atrevo
Se é maior que eu esse ganho
Invento uma magia, ou qualquer coisa
Pra ficar do teu tamanho







21 de jun de 2013
Vou dispersar
A emoção vulgar
Que me invadiu
Para te acertar

Você cuspiu
No prato do perdão
E se evadiu
Deixando a solidão
Ai... ai... ai... ei
Geme o coração
Ai... ai... ai... ou
Mudou a direção
Ai... ai... ai... ai
Você brincou demais

O mundo vai me ouvir
Eu, aos pedaços
O mundo vai sentir
Inteiramente

Ai... ai... ai... ei
Geme o coração
Ai... ai... ai... ou
Mudou a direção
Ai... ai... ai... ai
Você brincou demais




20 de jun de 2013
No paraíso do meu caos
Mora a ordem
Que desembarcou no cais
Da ideia
Mares traiçoeiros
Males e bondades
Estão do mesmo lado

Para sentir eu precisei igualar-me
Às tuas ganancias capitais
Deixa a coragem à flor da pele
E no coração abre uma ferida
No chão frio deito-me ao lado
De quem entregou a sua vida

A troco do amor restam sozinhos
Reivindicam em vão o que lhes cabe
Toda entrega pressupõe o nada
Feito o breu da fé que se esconde

Sorrateiramente chega a fome
De pão e justiça para todos
Violência e paz andam alheias
Mas se cruzam sempre no perigo

A fumaça é gás lacrimogênio
Que deixa meus olhos afogados
De repente o meu amor acorda
Dessa vez levanta-se disposto
Pra desatar
Se desprender
Se desmanchar
Pra dissolver
No amor
No amor
Mais vale amar
Do que sofrer

Pra reforçar
Se defender
Pra disfarçar
Se proteger
Da dor
Da dor
Pra não chorar
Vou me esquecer

Se inteirar
Pra dividir
Pra encontrar
Se descobrir
Pra se amar
Pra se sentir
Se ajuntar
Pra se abrir
A flor
A flor
E perfumar
Meu existir
11 de jun de 2013
Vou ter que representar
Para não ter que sofrer
Se preciso vou chorar
Depois me arrepender
Pra suspender um pouco a dor

Em torno ao sol se ergue uma sombra
Que reinventa o meu viver
E chega calma feito lombra
Chega de noite ao entardecer

Pedaços vão se juntar
E laços vão se romper
Se preciso vou amar
Depois me arrepender
Pra suspender um pouco a dor
Não vou ficar
Melhor você nem vir atrás...

Nossos caminhos desandando
Nossos destinos sem comando
O que será do amor quando ele acaba?
Uma erosão no peito
Na pele uma ferida
Um gesto imperfeito
Um pedaço de vida

E me distraio,
Que a vida me prepara outros sabores
Caio na mesma trama
E reacendo a chama
Da incerteza

Deixa o juízo roto
O certo fica torto
E se envereda
Num mundo diferente
Que a alma da gente
Se apega
Cria outras verdades
Surgem necessidades
E entregas
10 de jun de 2013
emoção que fere
linhas que se cruzam
fogo à flor da pele
corpos que se usam

lhe tocando empresto
de mim o que falta
escondo no verso
a dor que maltrata

esse coração
que não sabe lidar
com seu jeito de bater
finge, nada sabe
que não tem disfarce
como se esconder
da própria cabeça
que já tá bem feita
lembra pra esquecer
da vontade afoita
as mãos ficam soltas
e abraçam o querer
9 de jun de 2013
inoportunamente 
lhe deixo
à beira do universo
onde se cruza o verso
com o beijo
raio de sol me guia
sua luz me alumia
me queixo
das marcas pela lente
do teu olhar demente
de medo
inconvenientemente
lhe acerto
a cruz atinge o peito
não dá nenhum direito
de veto
me envolve em sua rede
se gruda na parede
do feto
aceito leve o fardo
pra ver se mudo o errado
em certo


ao revés da vontade - o desejo
feito a boca que quer e não - o beijo
é maldade antes de ser - ternura
liberdade, depois vira -  censura
é amor mesmo se nada - sente
uma planta que volta - à semente
sorrisos que antecipam - lágrimas
é um livro pra folear - sem páginas
uma dor mesmo sem provocar - a culpa
e mesmo sem querer machucar - desculpa



Ah... 
Lá vem o coração com seus desmandos
E na soleira do desejo eu me divido
No limiar do descabido está meu passo
De um lado ficou meu verso
Do outro, o universo que não pára 
Materializo o meu disfarce 
E me atiro 
Feito a fé que move o sonho
Reescrevo de manhã a minha fala
E na noite eu me enveredo 
Em desatino
É que não sei lidar direito com as palavras
Quando fico a um passo do desejo










Meu pensamento não tem medo
Famigerada é sua voz
Enquanto aguardo na ante-sala do desejo
Já lhe tenho entregue 
É que a minha ansiedade não me espera
Não revejo meus rascunhos
Nem corrijo a fala dita
Me espremo
Me comprimo
Pra caber 
E o sonho se encaixa justo na cabeça
E os raciocínios seguem os seus cursos
Feito a brasa do cigarro e sua fumaça...



Fica dizendo que quer
Mas só quer confusão
Mexe com minha vontade
Desfoca minha visão

Essa mania malvada me excita
Me deixa de outra maneira
E disfarçando eu finjo ser eu mesmo
Pra não cair na armadilha
E me distraio com o toque desordeiro
A pulsar ficam as veias
Que levam sangue à região do peito
De lá chegar na cabeça
Fecho os olhos pra não dar bandeira
Mas o teu cheiro me engana
Troco a eternidade pelo instante
Depois me resta a saudade
Relativizo os meus pensamentos
Para não ser evasivo
Meu coração é muito arbitrário 
Quando obedece o desejo









E um desejo danado me chega ao porvir
Uma lógica mágica desbrava o existir
Me expondo ao insólito jeito de ser
Do cigarro, um trago faço merecer
Sua fumaça levanta, lembra a ilusão
Que precisa da chama feito o coração
Minha ansiedade chegou sem pedir
Invadiu a cabeça pra me confundir
Nesse verso disfarço minha pretensão
A vida me ensina a lidar com a razão
No recinto da alma eu ergo um altar
No silêncio do canto, me ponho a cantar
3 de jun de 2013
que dor de cabeça 

essa minha mania 
me entrego de cara
traio a terapia
arrisco no jogo 
no sonho me perco
bastou a fagulha
acendo o desejo
a arma, o corte
e o corpo se fere
mal cicatrizando 
das marcas na pele
toda eternidade
me custa o instante
se inebria a mente
engulo um calmante
agito a saudade
reparo a ferida
e feito ultimato 
repenso a vida
engano a verdade
distraio a tristeza
reforço o laço
e viro a mesa
afim de mim saio
em busca do outro
eu rompo os lacres
portões andam soltos
e volto a mim mesmo
reparo a lesão
cabeça tá feita
roto o coração
não cabe ausência
nem esquecimento
vem logo e me traga
à dor, teu alento


Em verdade, somos concorrentes. Feixes efêmeros que andam lado a lado. Se entrecruzam? Ideias, conceitos e corpos. Motivamos nossos desejos quando criamos nossas vontades. Somos contrários, divergentes, convergentes, divinos, maravilhosos pois, pensamos. Quando sentimos fome, imitamos o gesto de nossos pares, ímpares, pois, queremos. E querer nos deixa à tona o desafio: Será esse fruto da necessidade, apenas? Terá o mais fraco a força na luta para sobreviver? Não se mede com o tamanho dos rivais, se mede com o tamanho do ganho. E quando se trata de prêmio, estamos falando de sorte. Artimanha e despreparo não caminham juntos. E no meu brasileirismo, sou eu mesmo do meu tamanho. Quanta certeza na verdade de convicções leves, para não salgar o feijão. Deixa assim, que a vida é breve, do tamanho da emoção. E deixo a vida me levar. Em vão, ficam aqueles que se entregam aos pedaços. Meio a meio o desejo, às metades a saudade. Não dá pra ser inteiro se dividindo e demarcando a paixão. Não posso assistir esse amor desse jeito. Abro a garrafa em tua homenagem. À tua ausência em minha cama, bebo doce o teu amargo. E o que se esperar de quem só quer uma fatia de pão, um gole de vinho, um afago. Disfarças insultos, apagas o brilho, me trais com o teu outro jeito de ser. Só tenho um motivo apagado no cinzeiro da sala. Uma vontade imensa de não ter chegado ao fim.



"Um tantinho só de afeto vale mais que muitos versos 
que me cansa o punho em falso no teclado.
A atenção é merecida, vexatória é minha sina - o esquecimento.
Eu não quero as memórias, quero o corpo, quero a glória de um gesto.
Quero paz no desespero, quero ser além do feito, encurtar felicidades.
Sendo claro ou esquisito, coerente ou indeciso, inteiro ou pelas metades."

I
O que o tempo precisa
A morte eterniza num instante
Os amores se vão e se perdem
Se encontram, se acham
Se despedem

II
Me perdi pela fumaça dos sonhos
Me engasguei com a fantasia
E me encontrei 

III
Sem dono, parti
E deixei ao meio meu fim
Pra recomeçar de mim
Ou por outra via qualquer
Quem me queira
Mal me queira
E às falácias, me entrego
Acontece que de tanto pedir e implorar,  eu desisto

IV
Quem delega ao tempo os seus atos
Cria deuses de vento e fumaça
Fica vazio, o seu coração disfarça
Que é feliz
E, quem sabe um dia
Possa trocar a droga por alegria
Ou outra forma qualquer de engano
Onde dê pra se esconder

V
Por debaixo dos panos
Se acende uma tristeza
Quando à mesa,
O melhor prato sirvo sem reserva
Essa seja minha sina
É que o mundo me engana o tempo inteiro
Já se dar com tal empenho me desespera
Não há verdade que me acuda
Nem coragem que se valha
Ao meu empenho
Não há doce quando o amargo chega à boca

VI
Me ajuda a deixar de me entregar pelas metades

VII
Inquieto me deito
E durmo um sono ausente
Pareço acordar 
Mas, ainda estou dormindo.






1 de jun de 2013
Que o nó em disparate
O laço não desate
A maldade
Soltai o que te prende
Amarre o que desprende
Liberdade
A solidão, a culpa
Os males, a conduta
A saudade
Amai a quem te ama
Que a alma desengana
A verdade
O véu que te encobre
Fingia um metal nobre
A vaidade
Arte feita de barro
Se acaba igual cigarro
A bondade
No mal, no descarrego
Na luta e desespero
Lealdade

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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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