30 de set de 2013
amai-vos!
amai-vos!
esse é o mandamento
que o filho nos deixou

dez anos!
dez anos!
nesse confinamento
e nem sequer amou

mas o amor é de graça
dele não se exige
nele se espera
sai do coração
quando ele chega
nem a fé resiste
feitiço, crendice
ou a decisão
tampouco a ciência
ou onipotência
determinação
de quem quer que seja
o amor se almeja
rara inspiração

antes, cabe ao feito
lembrar que o respeito
é prerrogativa
dever ou direito
causa ou efeito
ponto de partida





quem te completa
a solidão
palavra amarga

um desatino
que não há
quem solidário

se confunda
nem meio termo
é remédio 

ou sinfonia
uma canção
que solitária

é a chama
que resiste
a esperança

forasteira
volta e meia
ao coração

reaparece
feito sonho
passageiro

anoitece
o dia inteiro
e amanhece

o desejo
é saudade
feito boca

sem o beijo
a vontade
é utopia

no coração
a tristeza
é alegria

meu engano
é verdade
que se esconde








22 de set de 2013
claridade acordou
novidade nasceu
pensamento voou
cigarro se acendeu
desejo se soltou
liberdade prendeu
natureza honrou
no cerrado choveu
laço se desatou
destino irrompeu
o homem encontrou 
seu caminho escolheu
deus o abençoou
o demo recorreu
tempestade fechou
o corpo se escondeu
coração disparou
cabeça desprendeu
a vontade apertou
razão não entendeu
ansiedade brotou
o suor escorreu
setembro ensinou
e o medo cedeu
arriscando tentou
teu amor, escolheu





21 de set de 2013
vou aprender a me calar
não confundir a intenção
desejo, vou lhe esconder
a chama, eu vou suspender
mesmo se a lua não brilhar
mem o sol forte aquecer
não vai tocar mais a canção
se o descaso não se for
nos pés eu levo tuas mãos
para sanar de vez a dor
mas se de mim, você lembrar
desconfianças, levantar
pra onde foi meu coração
queira a noite clarear
o norte ao sul rememorar
fique onde está, deixa de mão
ao limite, o oportuno
ao descrente, toda a graça
ao combate, o coturno
ao efeito, a fumaça
desacato o encanto
desamarro o cadarço
politizo o meu canto
fumo o último do maço
democráticos sistemas
finalizam o meu fático 
teocráticos edemas
eternizam o midiático
queira a tua onisciência
levantar você do leito
falta ao mundo consciência
falta ao outro, o respeito
fé e amor caminham juntos
esperança e solidão
dor e medo em conjunto
a cabeça e o coração

19 de set de 2013
Proporcional ao meu amor
seja a entrega
Mesmo que o sol não queira ir
chega a noite
Então, calado o coração
segue seu passo
Mãos que se encaixam
noutras mãos
atam os laços
Seja a medida 
desmedida de si mesma
E que a forma não defina
o sentimento
Deixa a noite sucumbir
até a aurora
Deixa o toque enganar
o pensamento




















quanto,
mais ou menos longe
foi brilhar a tua estrela,
colorir o céu
de outro encontro,
afagar um novo pranto,
desvendar o encanto
do teu véu?

e pra deixar a vontade
escapar do sentimento,
prendo o medo na fala
e solto o meu pensamento
e quando parecer que tudo
não passou de um sonho,
acordo o desejo
e adormeço o abandono
mesmo que se agrida,
a verdade não se cala
enquanto arder a chama,
o teu coração - não traia

cabeça aberta ao corpo fechado
se amores são vãos, 
os desejos todos vis
que a árvore não foge do machado
leva com o passado a sua raiz
quando o fogo é mais forte que o vento
sua pele é tatuada pelo tempo
ao escurecer, acendo minha vela
já o coração que invente outra espera

18 de set de 2013
//O engano tá na mente escondido/Se o consumo consome a cabeça e some/Será o pobre um potencial bandido/A justiça se esconde e a verdade tem fome//Apareça a questão que nos perturba/Nessa linha reta que esconde a curva/Financio o meu crime com o trabalho/Quando troco a minha vida por salário/Esse tema desmantela o meu sistema/Desenquadra, esfacela o meu poema/Na cidade grande, fico tão pequeno/ Quando no final não vou levar o prêmio//O engano tá na mente escondido/Se o consumo consome a cabeça e some/Será o pobre um potencial bandido/A justiça se esconde e a verdade tem fome//Haverá um pai que nos traga alento/Se a liberdade é só mais um detento/Nessa selva de palavras sem sentido/O poder é só um escravo do umbigo/Tenha pressa meu irmão, dignidade/Se encontre o teu sol com a claridade/Já que o tempo só aguarda a vez do morto/Que tua mente possa ver além do corpo//O engano tá na mente escondido/Se o consumo consome a cabeça e some/Será o pobre um potencial bandido/A justiça se esconde e a verdade tem fome//












16 de set de 2013
Que lindo é o entardecer 
O céu todo muda de cor
O sol vendo a lua nascer
A lua vendo o sol se por

Quanto me custa te querer
Desejo: qual o teu valor?
Finge que sabe e nada vê
Tua saudade em mim é dor

Enquanto não amanhecer
A noite inspira a ilusão
Na cama vou adormecer
Nos sonhos tenho-lhe nas mãos

Favor não me faça sofrer
Que dá um medo a solidão
Espero a chama reacender
Bater por mim, teu coração








15 de set de 2013
se te convier, siga
para ser feliz, ame
se não dissolver, liga
e não consentir, clame
veja no olhar, mire
saia do seu lar, ande
esquina impedir, vire
o medo travar, cante
outro te ofender, pare
com ele o lugar, troque
necessário for, cale
respiro travar, solte
ódio vai gerar, males
quer o coração, água
rios, encontrar mares
sede que matou, mágoa





14 de set de 2013
fevereiro, preta
eu quero estar aí
pra poder te afagar
e os dois juntos, curtir

te chamar pra dançar
no pagode, mexer
tua nuca, cheirar
o desejo, acender
miudinho, sambar
o joelho, dobrar
no suingue, descer
querendo sem querer
um pouquinho, ficar
o corpo se encaixar
e a mão se atrever
mas se o tempo fechar
suba bem devagar
feche os olhos pra ver
a chama se acender 
deixa o tempo pra lá
e desperte o prazer
se a mão deslizar
e o coração bater
se permite, deixa
se não, finge, nem vê

fevereiro, preta
eu quero estar aí
pra poder te afagar
e os dois juntos, curtir





o mesmo que dá
é o que tira
não se iluda ao desespero
de enfrentar o pensamento
e reatar com o velho homem
redescobrir antigas verdades
que se escondiam sob a pele
na ponta que atingia o osso
mire adiante
olhe pros lados
teu inimigo é sentinela
seus olhos são duas janelas
vendo passar quem lhes alcance
seja honesto como a noite
não traia o seu coração
e te ilumine a luz do dia
felicidade é condição
não o amor...
ele ultrapassa os limites
às vezes chega sem convite
e te pega
te dá o que tanto procuras
o céu e o mar, o sol e a lua
e não te cobra




10 de set de 2013
às mãos que constroem paredes
as lágrimas que derrubam muros
água que mata a sede
pedra que esconde o furo
remediar a semente
colher o que não plantou
inebriar o demente
maré cheia que me amuou

sonho que guarda o futuro, a saudade
medo da solidão
dia que esconde a noite na sombra
clara é a escuridão


queira-me bem 
antes que a aurora
venha colher
de mim a flor
que era tua
minha senhora
era só teu
o meu amor

a lua viu
o sol contou
e o vento bom
estarreceu
o céu anil
se recuou
quando seu tom
escureceu

dia virou noite
carinho, açoite
no meu coração
raso ficou fundo
primeiro, segundo
amor, condição

para onde, o frio
derramar vazio
fé e opinião
não tem desespero
não há exagero
nem mesmo razão
que se una ao fato
ata-me, desato
o meu coração







9 de set de 2013
seu coração
feito de lata e flor
me castiga 
com um jeito
meio romântico
sua pele
quer o meu cheiro
romper
o músculo
e confundir
o meu cálculo

a luz ritmava o coração
tambores entraram na dança
de lata bateu o meu destino
na roda dançou feito menino
fazia pedidos de criança
e flores brotaram desse chão





8 de set de 2013
é por debaixo da coberta
que fica nu o pensamento
e deixo frouxo o sentimento
o meu desejo fica alerta

é por debaixo da coberta
que o desespero
chegou à noite ao coração
armou sua cilada
trocou o amor da amada
e fugiu da situação

é por debaixo da coberta
que mora o sonho proibido
embriagar o teu ouvido
canção de voz angelical
só faço o bem, embora o mal
peça de mim a sua parte
a tal coberta que era sua
foi encobrir a luz da lua
de lá viajou pra marte

agora não tem mais coberta
e se a vontade estava certa
o céu descobriu sua arte


ele se enfeita de verdade
leva nas mãos o seu destino
entre os sonhos de menino
estava a paz e a liberdade
seu corpo pede paciência
cabeça quente não aguenta
dose qualquer de desespero
pra defender-se de seu medo
como ele não tem outro igual
ele é um homem-sexual
que troca tudo por carinho
é passarinho atrás de um ninho
engaiolado pelo tempo
pra confundir o argumento
ama o bem fazendo o mal
ele é um homem-sexual
seu coração é seu tesouro
seu corpo é quente como o frio
nos olhos nus carregam o brilho
mais reluzente que o ouro
queira a sorte ser banal
ele é um homem-sexual
mesmo perdendo, esconde o jogo
só quer a vida, embora estorvo
no perde-ganha, sobe-desce
será um outro de sua espécie
a lhe reivindicar o aval
ele é um homem-sexual

 



ao poeta que se foi, as palavras que são
à verdadeira fé, as imagens que se vão
em meu coração, a ilusão que há
deixo-lhe um recado
olhe para o lado
e se veja
antes que o tempo 
poupe o pensamento
e se vá
respeito se estingue
mas, amor não se finge
é entrega
ao outro o que lhe cabe
quem julga nada sabe
no fim o que lhe espera

7 de set de 2013
ao olho nu, poeira
ao corpo nu, zoeira
que o tempo tá marcando
e a pele se encostando
ao meu jeito
enquanto enfeito
meu desejo de medo
pra adocicar tua boca
e amordaçar teu juízo
prender a vontade que tarda
livrar o perdão da gaiola
investir no inverno
pra colher o sol no verão
dose peculiar de veneno
cheiro de chuva chegando
desamarro, afrouxo, ameno
lhe tendo ou não, lhe amando
o seu amor...
tem um toque de brio
que me aquece no frio
da noite que embala
as nossas palavras
de amor e carinho

o seu amor...
me deixa encrencado,
carente, amarrado
sem sono na cama
na mesa, dez gramas
de um sonho roubado

o seu amor...
representa a verdade
que unida à maldade
que fere sem pena
maltrata, condena
tolhe a liberdade

o seu amor...
tem um cheiro de mato
que ato e desato
sem eira nem beira
cansaço, canseira
se entrega de fato

o seu amor...
desatina os segredos
instiga meus medos
depressa, divago
errado, me calo
calculo os desejos

o seu amor...
tem sabor de passado
um doce amargo
na boca, derrete
um crime, comete
pra deus, um pecado

o seu amor...
ultrapassa os limites
reparte, divide
o choro, a pena
que o mundo condena
disfarça, assiste




5 de set de 2013
gostar ou não gostar...

a questão é mais ampla
é quando se acha e pensa
ao se pensar, espera
na vigília, cautela
para desferir a mácula
e sujar o pano
ao menos que o engano
se torne verdade
bem além do meu umbigo
e pertinho da certeza
o que falta de amor
tá sobrando de tristeza
gostar ou não gostar

não é o problema
deixar de gostar, eis o lema
quando arrisco e me firo
mesmo quando errado
pois, o peso do certo
é medida intuitiva
é razão invasiva
expressão de um rosto
doce amargo é o gosto
quando se rompe o laço
fragmenta aos pedaços
e incrimina um dos lados
mesmo se de acordo
litigia meu corpo
pra deixar junto à pele
doutra pele a imagem
fantasia ou remorso
alegria ou lágrimas
3 de set de 2013
é que soltaram a Barrabás
deixaram Cristo prisioneiro
em troca do amor primeiro
o ego à frente, o amor atrás

é que não tive outra escolha
o sacrifício ou a desforra
necessidade ou divisão

se não tenho a liberdade
e me confunde a vaidade
o que me resta ao coração?

já pouco a pouco o pensamento
busca no outro algum alento
pra disfarçar sua maldade

se lhe acusando o condenei
o que julgar se o que amei
foi bem ou mal, qual a verdade?






una as pontas
abra a porta
embora a dor
ame dobrado
faça as contas
o que importa
é que o amor
seja amado

afuselado coração / que encerrando / desmentindo / 
reavendo / o seu amor / deixou de lado / a paixão

a doação virou uma troca
que o coração desvariou
pois não sabia a medida
talvez se meça com a vida
proporcional ao seu amor



2 de set de 2013
coração tá pedindo igualdade
mas a minha cabeça não duvida
no cortejo da santa esperança
da verdade, eu celebro a partilha 

em que rumo se foi, felicidade
onde está o sentido para a vida
é por lá que mora a tal liberdade
onde há cura para qualquer ferida

mesmo que a solidão queira ferir 
ao ter medo de amar e do perdão
lá o tempo não sabe a decisão
só o teu coração vai discernir
feito cores que ao luar se vão
feito vários botões no céu florir


antes que o sol se esconda
acendo um outro cigarro
pra devolver-lhe a fumaça
que o riso já perdeu a graça
e a claridade foi à sombra
que seu poder era de barro

nem muito mais, quiça o tanto
o teu amor, me trouxe o vento
o chão de areia é o pavimento
por onde passo com meu canto

já que o sol não me reclama
enquanto estou em sua chama
lhe dou o que está em falta
e reivindico os seus raios
outro cigarro em silêncio
para parar o pensamento
o seu calor não me maltrata





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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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