talvez eu fique um pouco menos
que o meu controle é passageiro

e o homem luta o tempo inteiro
não sabe ao certo o que sente
inventa um jeito de alegrar-se
uma maneira de ser triste
que a maior graça é o respiro
que me garante o pensamento
pois o momento não é eterno
parece pouco mas é tudo
e te conduz rumo aos limites
pra despedaçar qualquer barreira
lembra de um tempo, faz o feito

que a vida é
uma fantasia organizada
uma partida, uma chegada
o homem poluiu a cabeça do súdito
e lhe desceu amargo dentro da garganta
a chave pro futuro ficou na memória
a porta da esperança abriu hoje mais cedo
que o mar de azul logo ficou vermelho
o dia acinzentou pra ofuscar o brilho
a sombra apareceu no meu deserto árido
o sino não tocou para acordar o sonho
meu pensamento nu se escondeu no quarto
fugiu pela janela atravessando a nuvem
voou por onde voam as ondas sem matéria
e distinguiu a dor do medo na cabeça
do céu via na cama o seu corpo místico
a felicidade me contou com distinção
que um dia a terra vai mudar
o sorriso vai ser o que tinge a realidade
pra dosar um pouco a diversão
sem querer chorar vai desatar a liberdade
da cabeça adentra o coração
deixa o sol entrar pela janela do teu quarto
e a chuva possa te lavar de tua culpa
se misture ao homem e a mulher
deixe-lhes repletos de si mesmo
Percam-se e novamente se encontrem
ah, eu não queria sofrer
hoje penso diferente
tem dia
em que a noite não chega
meu amor se foi na escuridão
minha paz deixou ele partir
e eu
fiquei
além
da dor
eu não
chorei
nem quis falar demais pra não saber
resignei os passos da ilusão
abasteci-me de outra razão
de ser
além
do mar
do sol
do céu
de mim
de quem ousou um dia afrontar
o coração nem mesmo se entregou
fingir correr não dá pra iludir
o chão
os pés
e mesmo assim eu fui me enganar
já que a felicidade é ilusão
sorrir
chorar
correr
andar
dizer
sentir
a tua métrica não cabe em meu sistema
e nem o verso fica alheio aos teus ditames
vou libertar a mente desse pensamento
pois a saudade virou arrependimento
e o sentimento não recorre ao teu exame
bora sarar de vez a dor desses edemas
doença e cura são as cores do meu traje
o céu azul não é o mesmo acinzentado
o que mudou não foi a cor de tua conduta
nem o empenho colorido de tua luta
não há palavras, é melhor ficar calado
que remeter a voz à farsa e ao ultraje
somatiza
e divide com os filhos cada loucura
alimenta-os
e abstrai o que lhe prende
solta-se no imaginário do dia-a-dia
pra driblar o fim que se inicia
no respiro da alma
na feitura do laço
ação do gesto que vive
reinventa o amor
antes que se lhe acabe a vontade
quando a solidão finge nascer
alia-se à escolha compulsória de ser
e o que vem depois
não é nem a metade do sentimento
que o homem sequer decidiu sentir
o coração é só um meio
para desequilibrar a razão
quando essa já não sabe o rumo
a direção
partir, andar, pular, saltar, correr
sorrir, chorar, cantar, gritar, dizer
o mundo descobrir com o amor sutil
olhar pro mar e contemplar do céu o anil 

sentir, amar, se alegrar, sofrer
pedir, rezar, orar e agradecer
que a vida não me deu o que eu tanto quis
será mesmo importante ao homem ser feliz?

abrir, fechar, deixar, pegar, prender
ouvir, falar, tocar, cheirar e ver
se o que tenho não me leva a algum lugar
o coração eu lhe ofereço neste altar






14 de jan de 2014
no embaraço dos cabelos
ficam as mãos desordenadas
nem mesmo a culpa será útil
deixa de mão teus disparates
maneira frágil de presença
queira por bem o que mereças
ou um coração pelas metades
não há um bem maior que ser
o que se quer melhor
fazer o que te vem, o que convém
ao teu suor
deixar pra lá a dor depois amar,
amar, amor
melhor deixar vazio
feito silêncio a murmurar em pensamento
simbologia que me traga algum sentido
para melhor vivenciar a liberdade
e não tem jeito, quando o dor finge ser breve
o coração não sabe a quem considerar
busco de fora uma maneira de tratar-me
enquanto dentro, no interior, tramo a sorte
e medianeira a mãe escuta o meu apelo
o pai refaz os mesmos passos de outrora
quero que hoje se estabeleça o sempre
e que amanhã o nada tenha outra face
"a vida é o maior segredo revelado
e o menor viés do tecido"

"cortina de espelho
janela de vidro"

"a terra e seus horizontes
deixam incertas certezas"

"mente quieta é mente morta"

"suba até onde teus pés te levem"

"a doença e a cura não são determinantes"

"a vontade em deus é o desejo no homem"

"abraços vivem sem solidão"

"a tua opinião é a tua certeza"

ter consciência é não ter medo
pensei que o amor lhe venceria
era disfarce, era segredo
quem acaso sorriu
também chorou
e não tem mais nem menos
quando a faca à mão desfere
pra defender algum bocado
de compaixão pela matéria
cortinas a postos
janelas abertas
vou respirar o mundo inteiro
até eu parecer pequeno
da estatura de minhas verdades
disponho de medidas incertas
que arbitrariamente me consomem
igual a sentimento que não cessa
a corrente que não quebra
mas não prende


6 de jan de 2014
quantos seremos
pela manhã
não vou perdê-lo
pra me perder
deixa o dia
anoitecer
e o desejo
feito perdão
e a cobiça
presa na mão
quero o futuro
longe de mim
a fantasia
me preencher
ventos de areia
no meu sabor
noites do norte
pro meu amor
queira-me antes
da escuridão
queira-me antes
do coração
queira o passado
se recolher
faça-me um só
faça-me um
abra a terra
fecha o céu
respire o ar
que vem de lá
a noite escura
da solidão
o dia claro
finge querer
tantos infernos
na condição
vida que é mais
menos depois
queira-me antes
da sensação
queira-me antes
do coração




2 de jan de 2014
o amor enfim, vai chegar
vou estar lá
o outro é sua razão
de existir
o coração se arrependeu
se libertou
a árvore refloresceu
ao teu penar
a vida nova em função
de praticar
o sonho novo, a canção
pra desvendar
se envolveu, o coração
se arrendou
anoiteceu, desesperou
se conheceu
simples no gesto, a ilusão
se desprendeu
deixa o vazio se encher
de emoção
sobra o que falta pra lhe dar
de redenção
ao futuro, o poente
à certeza, a opinião
ao respiro, o presente
ao passado, a solidão

quem me deixa acima e abaixo da linha
vem e desequilibra a minha razão
o desejo é dele, a vontade é minha
liberdade ao toque, ao abuso a prisão

que não sou um bocado de amor na panela
mais ou menos não cabe no meu prato
vida passa é vitrine, moldura, janela
o argumento que se vinga do fato

o futuro só existe no presente
que o homem pensou quando criança
um respiro que chega de repente
rememora a saudade e a esperança

dia desses me vendo
por um sonho qualquer
um pedaço de vento
um afago, um affair







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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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