verso sem medida
ponto sem partida
riso sem piada

corte sem ferida
beco sem saída
tudo sem o nada

desconstruí meu discurso
que o muro, já era
tá no chão
a cultura é um buraco
lá de dentro
eu não caibo
na loucura
de viver

esse som que vem de leve
novamente me assusta
uma luz se acende:
é a ideia nua
num corpo vestido de pano
uma cicatriz
que fica escondida na alma

sol que guia o meu passo
lua que brilha em meu sonho
façam de mim vossa verdade
tem um leão pra matar
tua saudade
um jacaré pra comer
tua certeza
tá osso de devorar
tua verdade
pequeno
pra engrandecer
tua fraqueza

os pés se esquecem de pisar o chão
os rios são roubados na torrente
mãos não se estendem mais para o irmão
de que se vale a fé na sua mente

não vou negar a minha condição
pra enganar o meu pensamento
tesouro é não trair o coração
mistério é entender o sofrimento
vamos brincar
nessa lua
escondida
no breu...

ao invés de mim
sejamos você


é uma lua insana que me aflige a noite inteira
ímpar feito o sol que se coloca e vai dormir em outras praias
nem a solidão teria tempo que coubesse esse lamento
são cruéis demais que seus destinos são as águas desse mar
como desse pão que alimenta meu sorriso e meu choro
de que vale então amar primeiro e depois se arrepender?
quisera um botão
em flor se abrisse
embora a mão
fechada ainda fosse
mais tenho a ouvir
o que não disse
urgência de amar
e ser amado
é chão, é céu azul
e o mar no meio
é belo, o toque,
o ar, a luz, o cheiro
é pele, é suor,
é pensamento
um gole de paixão
em minha taça
não tem o amor
a ver com exigência
nem o conforto
é só pertencimento
o sol pintando a cor
de minha raça
a noite inebriando
a solidão
deixar de ser pro outro
o que somente
em mim se encontraria
a liberdade
a luz que vá brilhar em outros campos
o dia nascerá em amplidão
não vou mais precisar de algum encanto
que alimente mais a minha dor
repleto é o amor com suas armas
que deixa meu sistema desarmado
a vida é um sonho
que pouco ouso lembrar
quando me vem à mente
me resta pra contar
o que me cala
será que o perdão, eu o mereço
se minha indecisão tem suas causas
a ira e a luxúria tem seu preço
a mágoa e a esperança de mãos dadas
pra sempre é o mesmo sol
se vai em seu ocaso
iluminar uma outra natureza
pra ser melhor, voltar a ser criança
e entender melhor a sua trama
pra onde levaremos a tristeza
felicidade levamos pra cama
a norma se confunde com o vício
o derradeiro tem que ir embora
pra tudo a mente cria um artifício
que a morte do passado é o agora

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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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