tua pureza
tem a cor de abacate maduro
e a força de uma pera
envolvida em meus dentes

te devoro
enquanto o chão 
for teu caminho
te encontro

e faremos
de nós
o que a dor
resguardaria

teu sorriso
tem fome
de sonho
de festa
de luz

é o que basta
para um coração
de lua
mercenário
do tempo
que passa
de vida
que acaba

saia enquanto é tempo de plantio
para não colher os frutos tardios



e não tem
frio
se a água
ardente
soprar

quero uma droga
de amor
qualquer
que me convenha
o prazer

não vou sofrer
se a pele se abrir
mesmo que a dor
queira estar
condicionar
o amor
às vontades
banais

não vou julgar a moral
até porque eu sou mal

deixa de ser um qualquer por aí
você tem muito pra dar
mas vale a pena
sonhar e sorrir
e o respeito plantar

seja você
só você
mais ninguém
deixa a água correr
não mande nada
nem mesmo o amor
deixa brotar por aí


1 de jan de 2015
e nas cadeias
correntes
amarraram
o tempo
que a natureza
tá morta
e barulhento
o silêncio
nada demais
em errar
se a remissão
anda
torta
o que era feio
tá belo
e a beleza
não conta
tua presença
emudece
a sensação
encolhida
a humanidade
viola
os meus desejos
tão frios
quero amar
tua história
e odiar
teus inventos
devoro os medos
de fora
você me come
por dentro
voraz
o sol
arde
na pele do homem
cru
fiel
às suas ilusões
ama
e
desama
o mesmo amor
que desafia
a gravidade
do sonho
deixa
cair
pra
levantar
depois

em sua natureza
o poder
de um ganho
se vende
se troca
por verdade
se mostra
se esconde
barganha
a saudade
de um morto
finge não saber
de nada
pra amar
mais um pouco
quer além do ponto
a vida
e o que
era você
só podia
ser
eu
já o desejo
quem é
que manda
a solidão tem
o seu preço
cheiro de lua
gosto de vento
tua pele nua
em pelo
ressentimento
de ter o quê
pra dar
vou ter
que me calar
cheio de medo
talvez eu perca
o teu abraço
e o teu beijo
vou me arrancar
do teu quintal
pra não
me invadir
o mal
que não
se cansa de
acusar
que eu não
tenho
esse poder
que é maior
que o sofrimento
te perder
meu corpo
não mais
pertencer
ao teu favor
ao teu
prazer
foi teu amor que me levou
o entardecer
que era meu
agora está em tuas mãos
o coração

que o vento
foi buscar a sorte
noutros campos
meu barco
a se guiar
em tua ausência
um mar sem ondas
velas sem rumo
pétalas
que não formam flor
sofrimento
indolor
teus olhos
um nu
sem sentido
um porto
sem cais

quem me roubou
a exatidão
de uma lágrima
me foleou
mas nunca leu
nenhuma página
logo você
não me poupou
da solidão
triste
solidão
que em meu peito
entra
e faz
da minha noite
uma madrugada
com sentido
de deserto

eu sou o teu
amor
ainda

deixa eu por a mão
por onde dorme
a alegria
disfarçada
em silêncio
quase em oração

que esse segredo
quem me contou
foram teus olhos

dá logo de vez
um jeito
uma voz
deixa sair
daí
um sentimento
quem sabe
nada
é o coração
que sofre

prazer
que erige
entre os medos
minha paz

e nesse frio
o suor
aquece
a boca
feito menino
que não
pensa
em malefício
chama
acende
o meu cigarro
vem depressa
que não dá tempo
que o futuro
é agora

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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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