minha
mão
no teu viés
a percorrer teus espaços
preenchendo os teus becos sem saída
dando de mim
o que anda te faltando

deixa eu ficar aí
entre tuas medidas desiguais
nos teus palcos
tuas ascensões
e teus desmandos

feito mistério
divino
deixa eu conhecer teu pensamento
e lá ficar
quero abrir os braços
e esperar
pelo encontro
venha juntar
felicidades
e aflições

vou apanhar as folhas no chão do teu quintal
e fazer desse outono
a razão mais sublime do respiro

deixa,
mas se não quiser
nem
deus
vai
impedir
o
sentimento

que um dia
minha casa
fica pronta
menosprezo
abandono
que era justa
a causa
tênue
do incesto

o seu amor era de lobo
a despertar
na noite escura
do luar
amarelado
nos festejos
da lamúria
e da tristeza

eis que então
quando bateu as doze horas
me vinha a noiva ao meu encontro
a despedir-se
que seu amor
tinha partido
e a deixado
que seu luar
não era à noite
mas de dia

e feito um sonho com o tamanho de um planeta
seu coração partiu-se em três estrelas guias
e cada uma apontava para frente

que eu não sabia em que caminho
percorrer
ou eu passava
ou o meu fim era
morrer
então deixei cair a máscara do engodo
e decidi do jeito que jamais faria

eu fui por onde o meu coração queria
e confundi cada desejo do meu corpo

e fui naquela que apontava
para teu colo
teu umbigo

porque de lá
eu via a vida
como um espelho

porque de lá
eu via a vida
como um espelho
um desejo de mar
é o que faz sofrer
ilusão
debaixo d'água
alegria de mãe
satisfaz a madrugada
a manhã
é a flor
é a chegada do sol
que ilumina
e me aquece
se esconde
me envelhece
a nudez
vou deixar
a vida dizer
o que sobre
a morte
quiser
deus é submundo
de mim
lá onde reside
a vez
antes da palavra
mora a vontade
de paz
num juízo
reto
coração
não sabe o que
quer

lá vai meu amor
foi me decifrar
foi me defender
foi me desatar
e qual a cor do respeito
um preto
amiúde
branco

quero ter
pra depois
aprender a ser
e amar

é da cor
da felicidade
escondida
no olhar do escravo
estampada na roupa do rei
envolvida nas mãos do algoz

é respeito,
quero te dar uma cor que
nos represente
mas a verdade é que você
e eu nos amamos
raso
e profundamente

depende do ganho
da farsa
do prêmio

tens a prerrogativa
do amor
mas longe
o imaginário
do homem
vende-se afeto
cobra-se retidão
dobre-se
o certo
cubra-se
na amplidão
do
verso
motriz
da alma da canção
quer fale
do amor
eu falo é de você
e de mim
nós dois
somos só um
nessa atmosfera de prazer
e de dor
é que sorriu a flor na primavera
depois de lá ela se foi
nem tudo é um bastão
arma, escudo é guerra
esse meu texto
é pra apagar essa visão

que o amor
é passageiro
pois tem o tempo
de uma vida
resisto
enquanto o a dor teima em ficar
o sorriso, permanecer
que o vaso é de barro
e se quebra
o andor é de madeira
e se verga
a cruz, um tom de cinza
o amor, é amarelo
vermelho, a vontade de sangue
e água
que tinge a esperança

posso até pensar livremente
sobre a natureza
e sobre os homens
mas só a morte cala o corpo
e liberta a alma do mistério

viver tem prazo de validade
e você pode até ficar um pouco mais
e você pode até ficar um pouco mais
o lado esquerdo
dói em silêncio
e a lesão exposta
não se cicatriza
é um amor que
se lastima
por alguém
no endereço
mora a minha
solidão
a chama só apaga
se for acender
a chuva se recolhe
quando deus mandar

um passo firme
esconde a luz
o dia inteiro
o meu dinheiro
é uma lâmina
a ferir
nessa manhã
a cinza tinge
o obscuro
que a noite
inteira
foi o teu
corpo
a seduzir

o lado esquerdo
sorri calado
são os caminhos
que levam a ti
é uma dor
que não castiga
mais ninguém
era saudade
agora fica
a ilusão
a vida acaba
adianta

se defender
a noite dorme
para o dia
então brilhar
piedade
só tem
se tem
a culpa

a maldade
em ti
não tem
desculpa

deixas claro
o escuro
em teu viés

fazes raro
do amor
o seu revés

que não
sobra
em mim
algum
valor

quando
juras
perjuras
o amor

e o que fica
é pouco
pra dizer

que o tempo
me custa
perceber

mas a hora
até que enfim
chegou

nunca mais
vais deixar
em mim
a dor

de se dar
sem medir
a precisão

nunca mais
vais ferir
meu coração
vamos morar na escuridão
dos nossos sentimentos
mais vis
que a clarividência de certos
prazeres
não causa
menor espanto
ora
a dissimulação
do respiro
não significa vida
em teu corpo
trai-te
e carregas na cerviz
o peso dos teus costumes
e tradicões
feito um duradouro buraco
aberto dentro da tua cabeça

um pouco só de afeto
já basta para resgatar
as nossas possibilidades

fuja do abraço
que causa dor
cobra troco
deixa solto
mais que preso
tem sabor de desespero
disfarçado de saudade

um tumor
não se controla aqui dentro
da testa
e a cegueira vai aos poucos
imortalizando
as escolhas
despedindo-se da luz
desencontrando-se
no epicentro
da voz rouca
rompendo as paredes
do músculo
rumo ao tic-tac do relógio
sensação infinita
de silêncio
um grito
que rompe
é o medo do fim
que refaz um começo
dentro
dessa cabeça
reclamando de tudo
antes que se mereça
explicação
sabe mesmo de nada
o coração
experimenta
a sorte
desencarna
a loucura
desocupa
o presente
desencanta
o futuro

fere
pra defender
a posição

não se curva
ao passado

impregna
de luz
a escuridão

deixa o solto
amarrado

que não falta
é receita
ser feliz

que me enfeito
de laços

esse medo
se acabará
enfim

me
levando
em teus braços
e quando
o fim
não se acaba
é a fé

me acabo
sozinho
pra te
confundir

que fico
murmurando
a você
minha dor
desejando
amar
sem
amor
resistindo
a mim mesmo
para te merecer

é tudo uma perca
de tempo
o mundo
muitas
voltas já deu

não vale
a pena
sofrer
por
sofrer

lá dentro
ainda mora
a criança
resiste
à verdade
ao sofrer
se ilude
se arrisca
no jogo
pra
ganhar
ou
perder
14 de fev de 2015
amor
desfaz
a norma

ecoa
no meu ser

os meus deuses
se aliaram
aos teus demônios
somos
mais
que um

e
quem vai precisar
do oxigênio
pra viver?

me fala um pouco mais
sobre o que te dá prazer
(...)

terror
é viver nessa agonia
melhor
seria o céu
feito de mar
e a terra
fosse 
ar somente
do céu
as bênçãos
de iemanjá
e iansã
guia do crente




e cada um ficou
com a parte
do outro que
lhe coube
numa noite
e metade da manhã
de lírica
do suor
em pele 
é desejo 
de ouro
é o que
revela
um sexo
limpo
ou
sujo
cor de escuridão
de 
infâmias 
palavras
de vento quente
no ouvido
de sabor
diferente
do gosto
do outro
na boca
são peles
que se encontram
se retêm
e se soltam
querem mais
do toque
tempero
de vida
e de morte
que começa
e termina




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Olá! Sou Marcio Lima, filósofo e poeta. Trabalho como professor de Sociologia nas redes públicas de Goiás e do DF. 

Em meus textos se encontram várias facetas de mim mesmo, do mundo que me rodeia, do outro e da experiência da transcendência que transforma. 

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