4 de dez. de 2013

o tempo remedia

invadiu o grito
despiu o silêncio
estancou o vício
sangrou o lamento

que a gargalhada está solta na calçada
o dedo torto indica o rumo do caminho
a voz divina é pra espantar o desespero
o sentimento segue a trilha da verdade
samba canção tá me deixando meio tonto
vou assumir esse chorinho no meu peito
vou escalando essa ruína e lá do alto
o equilíbrio seja o pão, seja o sustento
medir a falta, o repúdio, a ganância
é desferir no próprio peito uma lança
uma ferida que o tempo remedia
não há maior desilusão que o vazio

o tempo remedia
a falta, o repúdio, a ganância
o tempo remedia
o grito, o silêncio, o lamento
o tempo remedia
o vício, a verdade, a ferida
o tempo remedia
o sustento, o sentimento, o vazio



por alegria

o que falta ainda sobra
em prateleiras soltas por aí
eu não quero algo sério
meu poder se acaba de manhã
nem lhe tenho por inteiro
se dê aos pouquinhos, devagar
outro dia, vê se esquece
a vontade não é de cristal
minha falta, tua culpa
experimentei o teu veneno
passa a noite, outro dia
troco o perdão por alegria


3 de dez. de 2013

sendo ele

será o vento
será o canto
que leva o meu lamento
meu desencanto
que brinda um juramento
depois finge espanto

será o canto
será o vento
que tece uma teia de acalanto
de sentimento
estima a certeza de meu pranto
de fora vê a dor que fica dentro

pela voz
ou pelo ar
se confundem na fumaça do destino
canção
ou temporal
de vez em quando quem manda é o coração

vou musicar um tempo bom
que deixe o homem em frente à sua sorte
e mais humano ele se mereça
se torne ele mesmo sendo ele

tensão muda

e despencou de uma altura pavorosa
que nem o dia teve tempo de alcançá-lo
e de repente a tarde se deu conta
vegetação amena daquela muralha
de longe o sol endireitava sua visão
de perto o medo aterrizava pelas nuvens
o seu respiro adormeceu feito criança
os sonhos se aglomeravam um a um
o suor frio escorria pelos lados
a tensão muda se entregou à esperança

esconderijo

no braseiro
se perdeu o destino
fora do corpo
dentro da mão
entre a pele
e uma segunda pele
acima da graça
abaixo da orelha
no rastro do tempo
que se acaba
enquanto houver brasa
há esperança
que depõe contra o tempo
dele se liberta
rumo à fumaça
esconderijo do espírito

2 de dez. de 2013

as cinzas

acendo um cigarro
tem um sabor amargo
a ilusão
que o grito fica rouco
desequilibra um pouco
o coração
sonho virou saudade
utopia, verdade
intuição
convicção covarde
amor, felicidade
abstração
água furou a pedra
rumo levou a regra
à decisão
se vão fumaça e cheiro
as cinzas no cinzeiro
a solidão





1 de dez. de 2013

sabiá

emudeço
ao som
do silêncio
a cabeça
não se cansa
adormece
vira sonho

o que espanta o medo
afugenta o vínculo
amolece o enfático
entristece o cético
desapega o âmago
desafia o poético

ao despertar
reaparece
a vontade
primeira
e derradeira
vira desejo
se esconde
ou se revela
de dentro
à medida
do juízo
da cabeça

por que canta o sabiá
pra despertar a aurora
ou acordar o silêncio
envaidecer a memória
agradecer o momento?








protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...