21 de dez. de 2014

insegura

me sinto insegura
que os olhos se
entreabrem
em sigilo
e tento
dominar
os desejos
e você lá fora
querendo entrar

não juro mais
que me desarma
o teu cheiro
a tua luz
teus olhos
têm
a dimensão
que me traduz
que o amor
não sabe ao certo
a sua vez

deixa pra lá
que o meu destino
é uma planta
sem raiz
já não suporto
nessa vida
ser atriz
na solidão
de uma cena muda
a te esperar

virá
e novamente
em minha cama
se deitar
eu conto as horas
desse drama
se acabar
e ter contigo
quando o sonho
me pedir

ao bater dos sinos

a cabeça
se abrirá
ao bater
dos sinos

ínguas
não falam
o amor
não é teimoso
nem justiceiro

vou cobrar
do coração
a minha vez
nossos corpos
são um só
nesse tempo
vagabundo
nessa terra
de incertezas
nesse céu
de urubus

deita
aqui
do lado
vamos
celebrar
a alegria

o conhecimento

descobri
contigo
que o conhecimento
já não tem
mais fim
seja a matemática
ou filosofia
me ponho
a caminho
a buscar a vida
que está em casa
no trabalho
ou na academia
sei que
o que tem lá fora
vou poder
olhar de perto
escolher por certo
o que me faça bem
ou feliz quem sabe
sair dos muros
da escola
e poder escolher
os próprios muros
é a oportunidade
de enfrentar o medo
e o sonho
o não
e o sim

ciclo

ciclo
ida
e
volta
se confundem
nos
laços
que
surgem
pela volta

tênue
gravidade
que
nos poros
da pele
decidem
os rumos
do medo
dor
tristeza
alegria
repulsa
tesão

que
riqueza
é da alma
cheia
de silêncio
e canção

permita
que o outro
te alcance
te encontre

e mesmo
sem pedir
verás
que o tempo
não é
teu
o espaço
é infinito
e tua escolhas
são
eternos
presentes

queira-me assim

queira-me
assim
o amor
que me queira
venha pra cá
aos pedaços
inteira
caiba
bem
dentro
de mim

tire o véu
do teu rosto
me assista
mesmo
que seja
daí

sentimento
feito onda
que vai
ora volta
mas
permanece
quando
quer
mesmo
sem que
o peça

descoberta

descobri
a pouco tempo
que o
eu
que morava
aqui dentro
agora
é teu
só teu
meu novo
desconhecido
tão
íntimo
que parece
até
que nos conhecíamos
antes
de
eu
ser
o que
você
um dia
achou
que
eu
nunca
fui

27 de nov. de 2014

gaiolas

pássaros
nas gaiolas
não podem
alçar seus voos
nem alcançar
a fruta
lá no alto
da mangueira
e quanto vale
a cantoria
que não atinge
nem de perto
a solidão
só desafiam
meus ouvidos
a libertar
os seus instintos
derradeiros


quisera eu poder
voar
mas liberdade
tem seu preço

por onde foi
parar você
meu
pensamento
que a dor
chegou
de qualquer
jeito
de nada sei
além do que
posso sentir
só dou amor
quando
tenho
e
talvez
triste
eu
não
possa
te fazer
feliz

protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...