1 de jan. de 2015

ao caráter

ao caráter
todo prazer
que o corrompa
toda saudade
que o traduza
toda alegria
sem modéstia
todo o meu sonho
que não durmo

doses absolutas

te quero bem
te quero assim
como me diz
o teu amor
com o passar
do tempo
até o sofrimento
nu
se veste

o peso
a intensidade
o amor
quem mede?
me diz aí
qual minha parte
de teu corpo
de tua boca
de teu gosto
me dê
só um sorriso
ou um sentimento
que me preencha
o copo
até o topo
pra me render
em teu calor
e te beber
aos poucos
em doses
absolutas

só de ti

eu quero
ser
maior
que o ser
que me inventou
na solidão
para amar
preciso só
de ti

por causa de você

eu sou
só por
causa
de você
e mesmo
quando
te olho
e não
me
vês
sinto
que o infinito
é menor
que esse desejo
que não
para
de sentir

triste solidão

triste
solidão
que em meu peito
entra
e faz
da minha noite
uma madrugada
com sentido
de deserto

eu sou o teu
amor
ainda

deixa eu por a mão
por onde dorme
a alegria
disfarçada
em silêncio
quase em oração

que esse segredo
quem me contou
foram teus olhos

dá logo de vez
um jeito
uma voz
deixa sair
daí
um sentimento
quem sabe
nada
é o coração
que sofre

prazer
que erige
entre os medos
minha paz

e nesse frio
o suor
aquece
a boca
feito menino
que não
pensa
em malefício
chama
acende
o meu cigarro
vem depressa
que não dá tempo
que o futuro
é agora

se o coração deixar

traz
a alegria
que ficou
escondida
em segredo
nos braços
de outro
alguém

desamarre
o nó
e quebre
as correntes
dos olhos
servis
que o amor
só funciona
se o coração
deixar

o amor desistiu de ficar

desceu
espiral
armadilha
um inferno
se dar

corri
alcançar
a virtude
ou vício
de ser

em vão
nada
vale
se
nada
eu tenho
pra dar

desfiz
o que não
tinha jeito
do nó
se romper

o sol
evadiu-se
nas nuvens
antes
do luar

comi
o pão
da vaidade
escondida
no ter

depois
convencido
o amor
desistiu
de ficar

protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...