29 de ago. de 2013

olhos de água

e o dia passa lentamente
já o coração não segura o seu ritmo
o ar escureceu o meu entorno
que o copo de café virou cinzeiro
o sol tingindo a cortina de amarelo
enquanto o meu sorriso se intimida
as mãos que tocam a pele áspera
não tocam mais os cabelos vermelhos
nem o íntimo, que se disfarça de caráter
para ser lembrado no dia do juízo
a voz semitona à medida do desejo
e os olhos se enchem de água

28 de ago. de 2013

teu canto

a tua pele incende a alma 
que me desperta de um sono de dor e descaso
e o corpo expele toda a água
para lavar o teu jeito ruim e o teu gosto salgado
o mesmo sol que aquece a chuva
é o que se esconde atrás dos teus olhos de sangue
que tua lágrima acalma o amor que nada sabe
e o coração é quem me leva ao teu canto 
em extrema tensão que foge a fala
e a resistência escorre pelos dedos 
alcança o desejo pelo meio onde começa
te tenho inteiro ou às metades
e vou por onde o teu canto me leva

desejo distante

Sou
Mas
Não
Sinto
Dou
Nada
Tenho
Que
Sobra
Enquanto
Falta
Sentido
Presente
Longe
Desejo
Distante


26 de ago. de 2013

teu inimigo

abra a cabeça!
teu inimigo está por perto
o seu caminho não é certo
e seu prazer é duvidoso
ele é o revés do feto
à tua imagem, ele é o inverso
quer só roubar o teu tesouro
se impõe acima do direito
a vida vale algum preceito
trocando fé por ilusão
ser diferente é defeito
julga normal o preconceito
pra enganar teu coração






outra espera

e pra deixar a vontade 
escapar do sentimento,
prendo o medo na fala 
e solto no meu pensamento
e quando parecer que tudo 
não passou de um sonho,
acordo o desejo 
e adormeço o abandono
mesmo que se agrida, 
a verdade não se cala
enquanto arder a chama, 
o teu coração - não traia

cabeça aberta ao corpo fechado
se o amor é em vão, os desejos são vis
que a árvore não foge do machado
leva com o passado sua raiz
que o fogo se alia ao vento
e a pele é tatuada pelo tempo
ao escurecer, acendo minha vela
já o coração que reinvente outra espera








25 de ago. de 2013

o pulsar do coração

o passado é a causa do presente
reação da ação
meu futuro é o nada se ausente
anda minha decisão
e para desatinar a sobriedade
bebo um copo ao meio de vontade
pra afastar a solidão
no café, só um pouco de conhaque
no cigarro, outro trago de saudade
na cabeça, o pulsar do coração





protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...