28 de nov. de 2013

sentado

sentado 
com o queixo sob a mão
calado 
assombrando a solidão
acorda
a vizinhança com o silêncio
discorda
com seus olhos de consenso
enfrenta
suavidade de arco e flecha
adentra
pelas beiras, pelas brechas
enfeita
a saudade, a intenção
aceita
a verdade, a ilusão










curva do rio

minha cabeça foi feita de barro
o coração é um calço de pedra
haverá posto para o teu amor?
me enveredo pela rua estreita
me descaminho pelo beco frio
reescrevendo torto tuas letras
é o pecado ofuscando o brilho
remediando o que lhe é vazio
coração mudo e a cabeça feita
só mesmo deus é o que endireita
o curso incerto da curva do rio


devoção

varre a tua mágoa
junto com as folhas
que cobrem teu chão
chuva que me instiga
lavai os meus olhos
vento que me eleva
levai as mazelas
do meu coração
que venha a festa
seja um novo canto
ao amor me resta
minha devoção









27 de nov. de 2013

rumo a vida

queira se entregar
antes que a razão
dê uma rasteira
ou que a verdade
chegue austera
aventureira
despedace
cada pedra 
em falso
desintegre
à medida
do sapato
desperdice
o meu jeito
me reerga
rumo à vida


decole

corra
decorra
bote
rebote
suma
consuma
note
denote
pique
repique
ponte
desponte
negue
renegue
soe
ressoe
sole
isole
ceda
receba
prima
imprima
porte
reporte
cole
decole

e nem sequer ficou

partiu
chegou
então
rompeu
depois
não vi
não sei
rogou
sofreu
pediu
passou
e nem
sequer
ficou

entendimento

Era entre todas a mais bela
Também a mais desconcertante
Dentro - em nada se revela
Fora - sua luz tão radiante

Seu brilho longe, me ofuscava
E consumia
E quanto mais me aproximava
Me atrevia 
Feito saudade que não tenho
Igual vontade, mero empenho
Me entregava
E o coração de deus de longe
Observava
Qual é a intenção primeira
Se a verdade é derradeira
O que me cabe?

Fechar o livro às metades
Os riscos são fragilidades
De um tempo
Leitura amarga e indigesta
O dedo aponta para a testa
Em pensamento

O corpo nu esconde o gesto
Boca se cala em manifesto
Um lamento
Que o silêncio tem seu preço
Pra decidir o que mereço
Entendimento










protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...