30 de jun. de 2015

me via

primeiro
provar que sou humano
para depois
catar as migalhas na imensidão dos sonhos
e ser o que se prova em tua boca
sabor de açúcar
liberdade assistida
a sentir o som que emana lá do alto
sem precisar de asas
ou discernir o encanto
lhe basta o que excita a alma
amar
é uma proposta
sem ter um ganho
sequer

meu coração está
indignado
teu prazer me comprou
e agora fico a vomitar meu ciúme pela casa
era a partilha obrigatória de vaidade
um falso temor
a liberdade
brilho de abandono das estrelas que vão se esconder na claridade do dia
foi assim que eu fiquei
ao te ver

sem saber se era amor
ou poesia
fui rever os nossos dias
e não mais me via

meus caminhos

meto
uma esquina no horizonte
quando digo que te amo
mas só penso em te trair

religar o homem ao homem
desligar o botão de deus
que faz a chuva
e finge te molhar
cria um ato
e a obediência teimosa
finge obedecer

sou teu
mas você
não é minha

multidão solitária
perdeu o rumo da fé
comeu o pão e a espada
negou o afã
de pertencer à sua espécie animal
e de sangue frio
morde o próprio calcanhar
muda a cena
e transforma a sua vida
num altar
onde percorre em palavras
cheias
porém vazias
porque aprendeu que é um nada
e a decisão é se iludir

quero fazer tudo novo
e você não me permite
porque não sou eu quem faço
e numa liberdade nada livre
decido os meus caminhos

26 de jun. de 2015

chama

a fugir
da solidão sem cor
um dó
que me deu 
o medo
nasceu 
de
não
encontrar
o
amor

a noite chegou
vou me afogar
nas águas
da minha cama
de nada valeu
a vela acendeu
a dor
foi a luz
da chama







19 de jun. de 2015

realidade

você desacreditou
meu irmão
vou te dizer
de que vale a solidão
se a luta tanto faz
quanto custa o meu penar
se no menos
tenho mais
fala sério
meu irmão
que o tempo já chegou
vou colher felicidade
que plantei no pensamento
e à margem da estrada
rastros de luminosidade
transformarão o lamento
em dor passageira
e no próximo inverno
meu irmão
certamente 
desse encontro
eu vou lembrar
vou sorrir ou vou chorar
queira arder a luz
na pele
sonhos virem
realidade





12 de jun. de 2015

privilégio

e
quando
o sexo 
entra
em cena
tanta fobia
e tanta ignorância

imaginando bem
o mundo é mesmo
uma fantasia
que mede a tolerância
conforme os seus costumes
usando deus em vão
nos seus caprichos
arregalando os olhos
para o lado

a liberdade
não é
livre
arbítrio
e nem
o amor
um santo
privilégio








6 de jun. de 2015

cientista

e pela noite eu ia
em busca de alguma dor
que me fizesse
não sofrer mais
sou mais sonhar
que merecer o dia
somente uma cicatriz
que vai ficar e nada mais
o corte não causa tristeza
a arte confunde o artista 
o verso perde a sutileza
a crença vence o cientista

perdoar

perdoar é ceder
uma parte
do acordo

protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...