somos uma multidão de solitários
nos livrando de amarras
segurando a liberdade
sem saber ao certo o uso
da consciência
múltipla
a verdade se equivoca
o meu ser que é pragmático
come, dorme, morre,
depois mata
sem saber se foi um crime
chora, ri, ata e desata
suas mãos são dois punhais
um atinge o coração
o outro, a cabeça inata
cria o seu próprio círculo
de pó e de fumaça
dialética de opostos
sintetiza a análise precipitada
e cria uma verdade
xinga, cospe, lambe,
ama a beça
e no mesmo tom, odeia
quando pinta um clima
ameniza o seu midiático
se refaz mesmo sozinho
essa vida é um descalabro
felicidade de bolso
o outro que fique ali de lado
tenho dó de quem me ama
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