30 de jul. de 2012

Momento final

Provei
Do juízo que fiz do valor
Quando embora, em cima da dor
Apoiei o meu calcanhar

Agora
O caminho se endireitou
Quando o rumo enfim se acertou
Independe da glória vulgar

E o homem viu-se nu e, quem sabe
Não meteu o nariz da verdade
Muito acima da convicção

E desde então,
O pequeno encontrou seu espaço
Pra na morte, sem desembaraço
Resistir ao momento final



Parede bege

E o medo fez outro refém: o tempo
E na estatura dos ventos perambulam pensamentos
Numa mania de deixar maiúsculo, o começo dos versos
E no estrato dos meus atos
Estampam-se retratos na parede bege

Não me venha com franqueza
Deixe-me às fraquezas de meu sentimento nu

Dublo a fala
Driblo o espírito
E deus, lá do alto se confunde
E novamente, o julgamento é adiado

Faltam-lhe provas
E, em qualquer memória bege
A parede de meu crime corrói o dolo
Imita o sangue
Desiste da pujança
De resto, a esperança
Sobra-lhe

A verdade não sabe qual posto assumir
Em passos curtos, deixou o pedestal rumo ao espelho
Viu refletido seu erro
E de fim, o umbigo
Desatou-se do feto
E o filho, ao mundo se entregou

Guiava-se. Não pela verdade
Entregava-se a qualquer vaidade
Que lhe parecesse amistosa

Provara do sonho
Da finitude do ato
E fora julgado segundo sua loucura
Fantasia, procura
De cada insanidade, fora julgado

E no fim a verdade velada no íntimo
Deu razão ao maiúsculo dos meus versos
E a memória persuadida ficou estampada
Recolhida, enfeitada
Nos retratos na parede bege

26 de jul. de 2012

Verso qualquer

À esmola - mãos
Ao meu rosto - traços
Ao aperto - braços
Para as pernas - passos
Aos meus sonhos - chãos

Todo cuidado - é pouco
Saudade - maltrata
Aperta lenta - mata
E o coração - desata
O sóbrio resta - louco

Ao carnaval - outra canção
Ao derrocado - antipatia
Ao coração - as avarias
Devolvam-me - cada fatia
Que se refaça - a criação

Medo da vida -  e da morte
Desembaraço - claridade
Ao final - eternidade
De mentira - ou verdade
Quando fraco - fico forte

25 de jul. de 2012

Dia-a-dia

Crimes sem culpados
São frações do inteiro
Perdão sem pecado
Igual rosas sem cheiro

Me falta um pedaço

Que te caiba aqui dentro
Só quando a verdade
Admite seu erro

É culpado! É culpado!

E Barrabás, enfim, é solto!

E confessadamente, a loucura

De repente, desnuda a fé
Como uma outra qualquer
E me faz pecar
De uma morte sem dor
De razões, sem palavras
Afeto, lembrança
Sentido, mudança
Quer queira, não queira
Sem eira nem beira
A flecha
Na testa
Na noite
No dia
-a- dia

Ínfimo desejo

O chão é meu mar
Paredes - horizontes
O céu, tá lá fora...

O coração quer alento

Quando a insistência se cansa
A alma não se levanta. Paira.

E de tão leve
O pensamento não se concentra
E, de repente, se adentra à pele
As certezas guardadas no íntimo

E a parede do estômago ruge
Várias bocas de mim mesmo
Quando o ínfimo desejo
Se confunde

Certezas são verdades?

É admitir que enganos também o são!

E a verdade?
Não existe!

22 de jul. de 2012

Doze por oito

Aferiu-se a pressão
Doze por oito
Encantadas canções
Guiam meu destino torto

Desisti de ser eu mesmo

E em verdades me perdi
Confusão em meus sentidos
Confessando-me, vos digo
Dos enganos, desisti

E a cabeça se eleva

Tão pesada, fica leve
Nem tão branca como neve
Nem escura feito véu

Dessa vida passageira

Do deserto dos teus olhos
Das manias, dos embrolhos 
Do teu céu ante o nariz
Do momento em que a semente
Nesse mundo virou gente
Desse instante, desisti

Lado

Enganada está a mente
Quando entregue está o coração

Deixa de lado essa mania
De amar além do jogo
Se queimar quando o fogo
Não resiste à ação do vento 
Alegria onde não há festa
Alento quando a dor se alastra
Quando o lado do outro lado emudece
Isolado, resta um lado
Igual passo marcado
Rumo ao desencontro
E no descaso fica o beijo
Nem mais abraço, nem desejo

E aí, o coração se esconde no umbigo

Retrata-se 
Reata-se consigo
E a descoberta do lado
Fica no lado de dentro
Onde nem a ação do vento
Ou o mais forte tormento
Poderão afastar o homem 
Dele mesmo

protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...