12 de jan. de 2013

Gosto indigesto

Queira,
E à beira do caminho se insinue
Nem a mente mais ingênua passa imune
Ao teu gosto 
Indigesto
Mas, gostoso
Envenena
Deixa rastro
Em meu caminho
Em meu sistema
Não rechaço
Ao teu jeito
Pitoresco
De entrega
Nada teme
Indefeso
Em seu posto
Quero menos
Mais me cobra
O desgosto
Que esgana
A metade reprimida da vontade
Estrangula
E disfarça ao final seu embaraço
Eu confesso e depois também disfarço
Não me cabe ser verdade quando engano
Para não ter que cometer outra bobagem
Deixo a culpa para quem lhe cubra o pano
Vá embora,
Leve-me consigo e me deixe sozinho

11 de jan. de 2013

Nosso sítio

Vamos
Paredes erguer
Nas ruínas morar
No deserto esquecer
Na enseada esperar

Que o homem vem vindo 
Visitar nosso sítio
Atracar no porto seco da voz rouca
Ensinar que o medo é a mãe da vida
E,
Te perco quando a luz do quarto apaga
Quando o chão do quarto se abre
A mente acorda o homem
E o sonho dorme em paz


Dissolução

Só quando eu percebi
Que a distância não se move
Foi que entendi
Que o encontro é dissolução
De corpos
De dedos
De mãos

Meu duro pensamento
Se dissolve na aproximação
De novos versos
No acalanto incerto
Que troca substâncias
Quando os corpos se dão

Empresto o que desejo tanto
E me advém a resposta
Que tanto espero



8 de jan. de 2013

Beijo molhado de sangue

Falta
De quem me vê ao lado
Um pouco mais de atenção
Fora, talvez lhe vejam dentro
E se enamora
Por sua própria tolice
Evite
Me ver de lado
De costas ou de frente
Que minha boca fica sem dentes
Que te valham algum sorriso
Escolho um corte profundo
Que ultrapasse a intimidade da pele
Rumo ao osso de minhas mazelas
Mas, que seja devidamente insano
Racionalmente desumano
E o mal que não cabe dentro do olhar
Deixe escondido a cicatriz do corte
Que te sirva algo forte
Ou qualquer satisfação que te advenha
Retenha
A melhor parte dos teus sonhos
Que algo novo acontece
Muda os planos
O lado se aproxima feito espelho
O medo enfrenta a força do espírito
E fica frente a frente com o homem
Medo e homem
Sorte de quem acredita
Lucro para os que não se importam
E o prejuízo bate na porta do azar
Pra mostrar quem é que manda
Quando falta-me a gana
Uma grama
Uma grana pra pagar teus honorários
Ter contigo quando a minha boca seca pede:
O teu beijo molhado de sangue






Em meu mar tem uma ilha

Acendi
As palavras em meu sítio
Libertei
A fagulha de meu vício
Fui ao mar
Refletir o meu desterro
Feito ilha, feito estreito
O coração
Não suporta o abandono
E você
Quer me ter como seu dono
Não vou mais
Ser quem se resguardaria
Ao amor
Em meu mar tem uma ilha
O coração
Não suporta o abandono
E acorda em meio ao sono
A paixão
E se dá por uns momentos
Sai de seu confinamento
O amor
E liberta-se lá dentro
Tem mais força que o tempo
E se dá



7 de jan. de 2013

O mesmo igual

Reticente
Que os sonhos lhe são raros
Obscuro
Se o instinto deixa claro
Indecente
Pouca roupa em seu corpo
Inseguro
Muitos mares num só porto
Bivalente
Mais desejo que vontade
Imaturo
Não digere a vaidade

E se entrega
Sem saber direito onde
Se divide
Se mascara, se esconde
E renega
Seu passado, seu destino
Me agride
Com palavras, desatino
Se apega
Me trocando por tão pouco
E incide
O insanamente louco
Só revela
Que o amor não é banal
Coincide
Entre os dois o mesmo igual










6 de jan. de 2013

Odoyá

Quanto do outro o eu precisa
Para se encontrar
Para se achar
Se alegrar

Longe bate um coração 
Vivo sem razão
Por tentar em vão
Ponderar

No mar alto fico à sombra
Da escuridão
Ondas, temporal
Enfadar

Paro o mundo em um segundo
Novamente vou
Vou recomeçar
Enfrentar

Levo até onde me leva a vida
Remo além do mar
Vou contra a maré
Odoyá












protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...