31 de ago. de 2012

Ares de Setembro

Ora, devo-lhes dizer
Ao contrário, aqui se vê
Coisas boas ao luar... 

Que parado, nu se enfeita

A paisagem, endireita
Céu descansa feito mar

Não me venha com o verso

Ser bondoso ou perverso
Ares vão se exaurindo

A garganta fica acesa

Fica rouca, fica presa
O meu ar vai se esvaindo 

Hoje falta-me o desejo

Falta o brilho, falta o beijo
Minha gana se distrai

Amanhã será diverso

Novamente o universo
Ao mistério nos atrai

Virá deus das profundezas

Dá-me de suas riquezas
Respirar um ar tranquilo

Me conduza ao respeito

Antes mesmo que o direito
Possa vir julgar ambíguo

Minha consideração

Falta-me a respiração
Quero o mundo ajudar

Mesmo refém do umbigo

Fraco enfrento o perigo
Repartindo o mesmo ar

Baluarte

Se alegra no flagelo
Cede enquanto o elo
Desfaz alguma parte

Só quero ser amigo

Quando ao cordão, o umbigo
Me leva ao disparate

Pra defender se cala

Topa qualquer parada
Finge fragilidade

Se esconde, ora aparece

Toda mulher merece
Mais que sinceridade

Tem nas mãos um unguento

Pode a qualquer momento
Tornar-se um baluarte

Doçura desmedida

Quer mãe, mulher, menina
De Deus, sublima arte

30 de ago. de 2012

Perfil falso

Me falta saudade
E felicidade, difícil encontro de pares
Em meio a lugares, procuro olhares
E não sei sobre o nada de mim

Desisto, me falho
Em meus próprios embaralhos,
Em meus mares, desertos do ego
Que cessa a esperança, o ódio, a ganância
Entrefazem o que me é tão sutil
Detesto, manifesto
Confundo, eu infesto pela casa um cheiro de dor
Se choro eu inquiro, discuto, explicito
Momentos afloram meu penar

O sol acalma a pele, a sombra empobrece
O brilho carmim do olhar

Um verde em fumaça
O cinza ao ar, eleva
A alma em seus tons

Cênico

Não sei fingir
Prefiro nem ser
Quando em frente ao espelho
Vejo-me

A lágrima ao encontro
Reflete o traço endêmico
Anônimo, interno
Cênico

Sobre a vivência


À justiça, venda
Ao meu corpo, toque
Indecente, torpe
Ao desejo, prenda
Não me seja ingrato
À sentença, fato
Ata-me, desato
À vereda, fenda
Luz em minha noite
Não esconde o açoite
à quem merecia
Pele escura, dia
Feitiço ou magia
Lhe obscurecia
O meu desencanto
Lá de fora, canto
No interno, pranto
Finjo alegria
Céus em meu inferno
Em tom baixo, berro
Quero isonomia
Sobre a vivência
Caio na armadilha
Do calor sem vento
Dou ao tempo, tempo
Grito em calmaria

25 de ago. de 2012

Insônia


Um tom de azul, o mar
Amarelou, o sol
Meus ais não são tão meus
Meu sim deixou de ser
Eu requeri o não
Manhã passou além
Aquém, a distinção
Poder é ter a mais
A mais, eu tenho o pão
Fechou meu céu, anil
Restou a indecisão
Deus pai desceu aqui
Eu não estava, não
Entenda que sofri
Desista de ferir
Eu sou o que não quis
Pra ser o que não sou
Dormir, já acordei
Em pé, deitei em vão
Cigarro, acendi
Apaguei a visão
Para amar, dormi
Noite, acordei no chão

24 de ago. de 2012

Mar da palavra

Um tantinho de paz
Basta ao homem que faz
Do seu destino um mundo cruel
E deus do alto me diz muito mais que ousei 
Escutar ou sentir

E de uma graça qualquer ou desejo menor

Ou maior que a canção

Deus lá do alto me diz, me consola na margem

Na beira do mar
A água com sua vontade, apela, invade
E varre meu ser

Um cigarro após outro demonstra, quer louco

Ou sóbrio, um homem comum
Que descobriu na palavra a arma letal
Não, não sei entender
Quando as águas salgadas se achegam à praia
De encontro ao meu lar
E minha casa tão frágil, espera a palavra
A ordem do pai
Já não sei bem o porquê, tanta água salgada
Invade o meu ser

E o mar, é o mar

protesto

  num tempo onde as tragédias são celebradas alguns tantos te querem triste, derrotado levante, sorria para o espelho, para a vida o teu sor...